A Jamaica, país do extrovertido campeão olímpico Usain Bolt, é um dos piores do mundo aos gays
Um levantamento sobre direitos humanos realizado anualmente pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, publica a situação geral de vários países. Ao divulgar o relatório de 2011, a atual Secretária de Estado do governo americano, Hillary Clinton, informou que o mundo mudou mudou imensamente ao longo de 2011. Cidadãos de países do Oriente Médio, Norte da África e outros se levantaram para exigir respeito à dignidade humana, ainda que tenham enfrentado dificuldades tremendas e/ou respostas violentas de seus governos.
Por outro lado, no tocante à discriminação dos gays,  o relatório de 2011 mostrou que, em pelo menos 40 países no mundo, ser homossexual ainda é ilegal e dá cadeia. O Brasil não chega a tanto, mas o levantamento apontou dados ocorridos durante o ano que demonstram a violência contra os gays, lésbicas e trangêneros [alguns ficaram de fora, como as agressões trágicas contra homossexuais ocorridas em vários meses de 2011 na Avenida Paulista, um dos principais centros financeiros da cidade de São Paulo].
Confira a seguir o que o relatório divulgou sobre o Brasil e, mais abaixo, alguns dos piores países do mundo para os gays .

Abusos Sociais, Discriminação e Atos de Violência Baseados na Orientação Sexual e Identidade de Gênero:
A lei federal não proíbe a discriminação com base na orientação sexual, mas vários estados e municípios, como São Paulo, têm regulamentos administrativos que barram a discriminação baseada na orientação sexual e proporcionam igualdade de acesso aos serviços públicos.
Durante o ano, a ONG Grupo Gay da Bahia recebeu cerca de 255 relatos de mortes com base na orientação sexual e identidade de gênero, em comparação com 260 em 2010. Os homens gays foram o grupo mais afetado, seguido por pessoas transexuais e lésbicas.
Em 15 de julho, em São João da Boa Vista, São Paulo, pai e filho foram espancados por um grupo de rapazes que suspeitaram que os dois eram gays.
De acordo com a SDH, o Disque 100 recebeu 560 queixas hotline de violência contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no primeiro semestre do ano, 20% das queixas foram registradas na cidade de São Paulo.
De acordo com um representante da Secretaria de Direitos Humanos, muitas pessoas transexuais tiveram dificuldades para entrar formalmente no mercado de trabalho ou em programas de estudo, devido à discrepância entre a fotografia no cartão de identificação e a aparência pessoal que impedem a obtenção do cartão individual e a autorização para trabalhar. Um novo cartão de trabalho só pode ser obtido através de um tribunal de trabalho, mas a maioria dos juízes aderiu a uma estrita interpretação biológica de gênero sexual proporcionando um viés abertamente contrário às pessoas transgêneros e transexuais. O governo do estado de São Paulo ofereceu uma unidade de assistência móvel a pessoas transexuais que ajudaram cerca de 300 dessas pessoas por mês.
Outros tipos de violência social ou discriminação:
Não houve relatos de casos de violência social ou de discriminação contra pessoas com HIV / AIDS ou outros grupos não mencionados.

Lindos e Homofóbicos [fonte: revista Exame]:

Egito
A lei não criminaliza explicitamente a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo, mas permite que a polícia prenda homossexuais sob o argumento de "libertinagem", segundo o relatório do Departamento de Estados dos Estados Unidos. O relatório destaca que gays e lésbicas enfrentam um significativo estigma na sociedade e nos ambientes de trabalho, o que dificulta sua organização em movimentos sociais.


Jamaica
A lei proíbe atos de "indecência grosseira" entre pessoas do mesmo sexo, em lugares públicos ou privados. A punição chega a dez anos de prisão. A homofobia é bastante espalhada pelo país. Através de músicas e do comportamento de alguns músicos, a cultura local auxilia a perpetuar o preconceito, segundo o relatório.
Grupos locais relatam abusos aos direitos humanos, incluindo "sequestros corretivos" e ataques. A polícia não costuma investigar os incidentes. O relatório destaca que o clima de medo leva pessoas a abandonarem o país e as leis as deixam vulneráveis a extorsões de vizinhos.

Irã
A lei criminaliza a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo. Um homem pode ser condenado à morte por esse motivo. A punição dos homossexuais não-muçulmanos é pior caso seu parceiro seja muçulmano. A pena para os homens também é pior que a das mulheres.
Ao contrário de alguns países em que a lei que pune os homossexuais com a morte não é seguida, no Irã ocorreram, recentemente, execuções por esse motivo. No ano passado, três pessoas foram executadas por sodomia. Foi a primeira vez em muitos anos que indivíduos foram executados somente por esse motivo, já que normalmente a causa é combinada a outros crimes, como sequestro, roubo com uso de armas ou crimes contra a ordem nacional.
Uma unidade voluntária do Poder Judiciário do país monitora e relata "crimes morais", segundo o relatório. Buscas em casas e monitoramento de sites em busca de informações sobre homosexuais também ocorrem. O governo censura materiais relativos a assuntos LGBT.

Emirados Árabes
A lei civil e a lei islâmica criminalizam atos homosexuais. Pela lei islâmica, a punição é a morte, de acordo com o relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Em 2011 não houve nenhum processo por esse motivo, segundo o levantamento. Não raro, o governo submete pessoas a tratamento psicológico e aconselhamento.
O 'cross-dressing' (nome que se dá às pessoas que se vestem com roupas e acessórios do sexo oposto) é considerado uma ofensa e pode ser punido.
Líbano
Durante 2011, a discriminação oficial de gays, lésbicas e simpatizantes permaneceu no Líbano, segundo o documento. As leis do país proíbem o "ato sexual não-natural". A punição pode chegar a um ano de prisão, mas é raramente aplicada. Há um relato de um homem que foi delatado à polícia pela própria mãe.
No país, existem ONGs LGBT que realizam encontros regulares. Em 2010, uma ONG local observou menos de 10 execuções.

Tunísia

Na Tunísia, relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo seguem sendo ilegais sob o código penal, que prevê penas de até três anos de prisão, segundo o relatório. Há também evidências de discriminação, incluindo relatos de que policiais, às vezes, prendem homossexuais e os acusam de serem fonte de HIV.
Não há, no entanto, relatos de pessoas presas por causa da homossexualidade, mas um ativista LGBT do país já relatou violência, perseguições e ataques de indivíduos descritos pelas vítimas como Salafistas.


Indonésia
Uma lei de 2008 proíbe a atividade homosexual, segundo o relatório. Há também regulações locais que criminalizam o ato. Há relatos de que o governo não faz muitas ações para prevenir a discriminação.
Organizações LGBT e ONGs atuam abertamente. Mas alguns grupos religiosos, esporadicamante, interrompem organizações LGBT - e as pessoas, vez ou outra, são vítimas de abuso policial.
Em 2011, um festival de cinema limitou sua divulgação em decorrência dos protestos de que foi vítima em 2010.

Uganda
Atos homossexuais são criminalizados por uma lei da era colonial. A pena chega à prisão perpétua - e já houve tentativas para que a pena de morte fosse incluída em alguns casos.
As pessoas não chegam a ser condenadas diretamente pela lei, mas por "ofensas relacionadas", como "práticas indecentes". A discriminação priva pessoas de serviço médico e impede que grupos LGBT registrem-se como ONGs.
No começo de 2011, David Kato, um ativista local que havia processado um jornal do país que publicou uma foto sua e o classificou como homosexual foi espancado até a morte. A Corte do país determinou que o jornal havia violado os direitos constitucionais à privacidade das pessoas que tiveram suas fotos, identidades e endereços publicados na matéria.

Rússia
Há discriminação aos membros da comunidade LGBT. Ativistas afirmam que muitos homosexuais escondem sua orientação com medo de perder seus empregos ou casas ou de serem tratados com violência.
Em Moscou, as autoridades não permitem a realização de uma Parada Gay, apesar de alegações de que a proibição viola os direitos de liberdade. No entanto, há registros da ocorrência de paradas anti-gays.


Guiana
Há a punição com prisão perpétua para a atividade sexual entre homens, segundo o relatório. Há relatos de alguns processos desse tipo, mas não há números. É mais comum que a polícia use essa lei para intimidar supostos casais gays.
O relatório destaca que, o ministro da saúde, em um discurso em uma conferência sobre AIDS disse que essa lei é contraditória a liberdade de expressão individual. 

7 comentários:

  1. Dá uma olhada no texto sobre a Tunísia e o Líbano estão idênticos.

    Sempre achei curiosa a Rússia, a Sérvia e a Republica Tcheca serem lugares bem homofóbicos.Nessa última os meninos nativos tem fama de ser "topa tudo por dinheiro" não sei se a fama condiz com a realidade ou surgiu devido a fantasias criadas por sites pornográficos.Caso seja verdade é apenas mais um exemplo de que o que o problema que as pessoas tem com a homossexualidade não é o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo e sim qualquer coisa além disso.

    Também já ouvi de um sérvio que as pessoas lá não odeiam gays mas odeiam o fato deles se promoverem e que países como Estados Unidos e Holanda promovem a homossexualidade e eles (os sérvios) acabaram com a parada gay no país deles e assim fez a Rússia sua nação irmã.

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  2. São países (Brasil incluso) que tem visão limitada da vida. A Jamaica, pais de grande visitação turística, devia repensar sua lei. Está atuando contra sua própria economia. Nos outros,por culturas ancestrais e preconceituosas, as pessoas ainda sofrerão..até que que mudanças sejam aceitas. Brasil está a caminho...lentamente...mas a caminho.
    Abraços Junior

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  3. pois é, ao mesmo tempo que eu acho q defender os direitos humanos é o correto, me pergunto se nos cabe o direito de intervir em outros países e outras culturas, como se todos fossem iguais... não sei, tenho q pensar mais.

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  4. o Brasil ainda tem muito que caminhar mas está bem mais adiantado que estes países...
    e nem é pra se gabar com isto!

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  5. Anônimo: já corrigi. Obrigado. Abraços.

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  6. Ainda me assusto com tudo isso. Mesmo com o crescimento econômico e, porque não, intelectual da sociedade, muita coisa ainda insiste em ficar na estaca zero :(

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