Vamos começar a matéria respeitando a vontade deste artista norte-americano, 24 anos de idade. Ao vê-lo na foto acima, você pode imaginar qual seria esse desejo, entretanto, poderá se sentir confuso após conferir o recém-lançado clipe do single "Wavvy" [assista no final desta postagem], considerada uma das melhores canções do seu pequeno repertório.
Ok, vamos logo ao assunto. Ele prefere ser identificado pelo sexo oposto, seu nome adotado é Mykky Blanco e o de batismo é Michael David Quattlebaum.
Nascida na Califórnia, Mykki fugiu de casa aos 16 anos para morar em Nova York. Nesta fase, começou a se vestir como menina e se considerava uma cross-dresser: Eu era muito confundida com menina porque tinha só 16 anos. Aquela ocasião, eu diria, foi o surgimento da minha 'vida transgênera', confessou.
Aos 20, Mykki se mudou para Chicago para estudar no "Art Institute" e, a partir de então, em apenas quatro anos, o reconhecimento de sua música vem crescendo mundo afora.
Pessoalmente, apesar das notícias em alguns meios da mídia, arrisco dizer que Mykki prefere usar os dois lados e não ser rotulada. Isso está claro na maneira como se apresenta e nas letras das músicas.
Talvez seja este o maior diferencial. E não me refiro a estratégias de marketing. Simplesmente ela vem tentando se humanizar no mundo do entretenimento onde o comum é se criar personagens que impressionem o maior número possível de público [Lady Gaga]. Mykki é homem, é mulher e assume os dois lados sem conflitos.
O mais impactante talvez é o fato de não ter se furtado de ser, se mostrar e enfrentar, no início de carreira, um dos pilares do hip-hop mais preconceituosos aos gays: o rap. Mykki assume e aborda nas letras e no clipe abaixo o que antes achava ser homossexualidade e hoje considera transexualidade.
Para a revista Interview, Mykki é considerado um artista antenado, globalizado, multitalentoso (poeta, rapper, ator e autor são apenas algumas de suas vocações) e multigênero (por causa do lado feminino).
O artista entusiasta possui agressividade e imponência, um senso de moda afiado e uma rara combinação de confiança e humildade. Blank, que já era um artista batalhador querido e respeitado do meio underground, chamou a atenção de muitos olhos e tímpanos na mesma proporção, em grande parte graças à colaboração do fotógrafo Terry Richardson (a escolheu para participar da campanha de uma grife famosa juntamente com a modelo Ashley Smith e o letrista do momento em Harlem, A$AP Rocky); ao livro de poesia de sua autoria ("From The Silence Of Duchamp To The Noise Of Boys") lançado e vendido em locais chiques, como o "Opening Ceremony" e "LA's OHWOW Gallery"; além dos shows ao lado de bandas como 'Gang Gang Dance' e 'ARABMUZIK'.
Confira mais trechos da entrevista, a seguir.
- Você se encontrou em Nova York. Diria que a sua vida não seria possível em nenhum outro lugar? 
Mykki: Eu me considerei gay por muito tempo, até eu começar a me vestir como mulher com bastante regularidade. Foi aí que comecei a perceber a mudança da minha identidade de gênero. Para ser honesta, foi quando eu comecei a dormir com homens como uma pessoa do sexo oposto. As coisas começaram a mudar realmente quando descobri que os homens com quem me sentia atraída me achavam atraente como uma mulher! É literalmente ter a mente fudida você passar pela vida como um cara, depois se vestir como uma mulher e perceber o bofe te chamado na rua e os homens correndo até você para pedir o número do seu telefone, o seu e-mail e ainda conversar on-line com eles e ser chamada de gostosa. Foi como uma estrada que se abriu inteira e fez a minha vida muito melhor.

- Isso a faz se sentir com mais poder?
Mykki: É um florescimento no meu coração e na minha mente. Dois espíritos se ladeiam e formam toda a minha energia e poder femininos. Isso é um conceito muito antigo e místico que se espelha em muitas culturas, tanto ocidentais quanto orientais. Eu não deveria simplificar e dizer que só por eu ter recebido atenção sexual positiva de homens que continuo cross-dress. Isso tem a ver com o alinhamento de todos os chacras, inclusive com relação à energia sexual que faz parte da vida.

- O engraçado é que, há apenas algumas décadas, o melhor e mais inovador público da cultura de Nova York era formado por membros ou simpatizantes da comunidade gay e transexual.
Mykki: A epidemia de Aids matou toda uma geração de pessoas divertidas e surpreendentes. As pessoas muitas vezes esquecem que Nova York, a partir dos anos 20 e até meados dos anos 80, era cheia de transgêneros. Ver uma travesti na rua era como beber água, elas estavam por toda parte!

- Parece que hoje em dia os artistas comprometem o resultado de seus trabalhos, mas isso obviamente é algo que você não faz.
Mykki: Nós estamos vivendo numa época onde a mediocridade da cultura pop mainstream está em alta. Quando as pessoas falam comigo sobre uma transição do mainstream, sobre gays no hip-hop, eu abordo a questão, mas, no mínimo, essa comparação com o resto me rotula. Você não pode ignorar Sylvester, a lenda da discoteca gay [cantor drag queen da era disco conhecido como  "Queen of Disco", morto aos 41 anos em 1988. Uma de suas músicas se tornou hino dos gays de todo o mundo: "You Make Me Feel (Mighty Real)", do aclamado disco Step II (1978)]; o superstar milionário de seu tempo, RuPaul; ou alguém com quem mais me identifico, Marilyn Manson, o superstar anti-Cristo da América quando estava no auge. Então, você não pode dizer que não há espaço para o meu trabalho quando vemos alguém como Big Freedia lá fora fazendo "Late Show" com Jimmy Kimmel . E a base de seus fãs é enorme. Quem se importa? Foda-se o mainstream. Eu não quero estar no "40/40 Club" estourando garrafas enquanto rappers jogam notas de cem dólares para as strippers. Eu quero apenas fazer o meu público feliz, cumprir a minha visão criativa e ser bem sucedido do meu jeito, o que é factível.

Mykki Blanco acabou de lançar o clipe de "Wavvy" [dirigido por Francesco Carrozini] mas já está concluindo os trabalhos do seu primeiro disco ("Cosmic Angel") a ser lançado no início de 2013. Confira o novo clipe.

3 comentários:

  1. Quem tem talento dá nisso: luxo, adorei!

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  2. Essa já vai levantar pol~emica por falar em "New World Order".Acho interessante um/uma transexual em um nicho musical homofóbico como o rap mas acho a música da dita cuja tão boa quanto a maioria desses rappers famosos, ou seja, ruim.

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  3. Cara, eu achei esse clip muito sensual... Lindo mesmo!

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