O presidente da delegação da Russia, Serguei Narychkin, declarou que não participaria da futura sessão da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa ("APCE"), em Estrasburgo, por discordar do projeto de resolução que pretende discutir, entre outros temas, a revisão da legislação eleitoral e de leis sobre os partidos e os comícios da própria Russia. 

O problema é que a maioria dos países-membros do parlamento atribui ao arcabouço legal russo uma violação dos direitos da pessoa humana e do cidadão, especificamente no tocante às minorias e principalmente dos homossexuais.

A nona conferência ministerial será dedicada à política de juventude dos países-membros do Conselho da Europa e esta é a primeira vez que uma proposta de resolução não é aprovada. Segundo divulgado nos principais jornais russos, os europeus introduziram na minuta da resolução um item sobre os direitos dos homossexuais, alertando a sua prioridade. A Rússia não gostou e bloqueou a aprovação do documento.

O diretor-geral do Centro de Pesquisas Europeias e Internacionais, Timofei Bordashov, esclareceu que, na verdade, ainda na fase de elaboração da minuta, os representantes da Bélgica e da Suíça declararam que não votariam a favor da resolução se não fosse incluído o item referente aos direitos das minorias sexuais. O tal texto foi inserido e foi a vez da Russia ameaçar o boicote justamente por causa dos direitos dos gays: "Todos já compreendiam que a Rússia, a Grécia e a Polônia, iriam discordar desta emenda.", concluiu Bordashov.

Apesar do clima tenso e da fúria, o país da Revolução Vermelha já informou que pretende enviar outros representantes. Sobre o motivo de voltar atrás, o diretor-geral do Centro de Informação Política, Alexei Mukhin, declarou:
A Rússia não renunciará, certamente, aos mecanismos e instrumentos de influência sobre a sociedade europeia que a filiação na APCE lhe proporciona, apesar de se tratar precisamente de uma farsa judicial. A Europa e os EUA apresentam com grande prazer à Rússia certas exigências bastante especulativas a respeito da violação dos direitos da pessoa humana e do cidadão, além de outras acusações que, aos nossos olhos e aos do resto do mundo, não são violações, mas um assunto interno da Federação Russa. A razão do entusiasmo da comunidade europeia na defesa dos direitos das minorias nacionais é bastante simples. Pode-se afirmar que, para a Europa, os direitos da comunidade gay são um problema essencial, inclusive eleitoral. Por isso, os europeus são forçados a discutir publicamente estas questões e levantá-las ao mais alto nível político. 
Leia  aqui uma proposta de resolução sobre a luta contra a homofobia na Europa, apresentada em maio deste ano ao Parlamento Europeu.

4 comentários:

  1. Pelo que entendi a Grécia também já tinha acenado com um boicote "pelo mesmo motivo"???
    A grécia? Com todo passado homoafetivo inserido na sua história?...
    Acho que não entendi, não pode!
    ABraços

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  2. Oi Margot. Não exatamente pelo mesmo motivo. O problema visto por alguns países que refutam a proposta da resolução é alterar a legislação eleitoral e demais regras políticas visando a proteção das minorias em geral.
    Já a Russia, não. Este país se manifestou contrário exatamente aos direitos dos gays.
    De qualquer modo, a Grécia, apesar de punir a discriminação contra homossexuais, não elaborou até hoje leis permissíveis à união civil gay, muito menos o casamento gay.
    Bjaum.

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  3. Eu fico me perguntando o que esse povo ganha comprando essas brigas... Ah, me lembrei que eu já sei a resposta!

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