Duas matérias diferentes chamam a atenção para o mesmo tema: adoção de crianças.
Uma delas, 'O casal gay, a criança e o juiz', escrita pelo português Henrique Monteiro, no site 'Expresso', levanta um questionamento interessante: "um juiz pode escolher o melhor projeto de vida para uma criança?"
Tecnicamente, sim. Ao sentenciar num processo de adoção, o magistrado escolhe o destino da criança. Claro que a sentença não pode ser arbitrária - ou não deveria. O magistrado deve se basear em normas e laudos dos profissionais nomeados e envolvidos no processo de adoção [psicólogos, assistentes sociais, etc] para chegar a sua decisão.
Mas a pergunta é boa porque vai além. 
O jornalista estranhamente se esquivou da polêmica adoção por casais gays no desenrolar de sua matéria, apesar do título escolhido. Entretanto, aqui, nesta postagem, será este o principal foco. 


Pais homo ou heterossexuais. Quem melhor educará?

A questão então se transforma para: O juiz tem a expertise, aptidão, perícia, etc, para decidir quem serão os melhores pais adotivos se se deparar com o interesse de dois casais de idêntica condição sócio-econômica, mas com diferente orientação sexual? Ou melhor, o casal heterossexual proporcionará  mais equilíbrio psicológico à criança adotada pelo fato de ser formado por homem e mulher?
Pode parecer, a princípio, a melhor opção. Contudo, qual dos dois casais ama mais a criança a ponto de priorizar e "incondicionar" a sua educação? Qual deles se importará de fato com as necessidades daquela criança? Tenho dúvidas se mesmo o psicólogo comprometido com o processo adotivo teria condições de prever e responder todas essas perguntas.
Pesquisa diz que homossexualidade dos pais não afeta desempenho das crianças

E aqui entra a segunda matéria sobre a qual fiz referência no início. Ela foi extraída do site lésbico 'Les Femme' e não há o que acrescentar ou alterar. Acompanhe.
Para jogar um pouco de luz sobre a polêmica treva de que pais gays não sabem educar direito seus filhos, pesquisadores dos Estados Unidos estudaram crianças adotadas por casais de mesmo sexo para saber se isso é realmente verdade. E é claro que a pesquisa chegou à conclusão de que não, a sexualidade dos pais e das mães não interfere no desenvolvimento das crianças.
Uma equipe de psicólogos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) analisou casos de 82 crianças consideradas “de risco” que foram adotadas no Estado – 60 por pais heterossexuais, 22 por homossexuais (sendo 15 por homens e 7 por mulheres). A idade das crianças na época da adoção era de 4 meses a oito anos e a dos pais de 30 a 56.
Os estudiosos fizeram avaliações com as crianças nos períodos de 2 meses, 1 ano e 2 anos depois da adoção. Elas foram analisadas por um psicólogo nos três momentos, e seus pais responderam a questionários. O resultado é que todas as crianças, filhas de gays ou não, tiveram um significativo desenvolvimento cognitivo, e os níveis de problemas comportamentais permaneceram estáveis.

Crianças precisam de pessoas que as amem, independentemente do gênero de seus pais

Além disso, a pontuação delas em testes de QI subiram em média 10 pontos, o que é considerado um grande aumento. Antes da adoção, elas já tinham múltiplos fatores de risco, entre eles nascimento prematuro, exposição a drogas durante a gestação, abuso ou negligência e moradia inconstante.
“As crianças adotadas por gays e lésbicas tinham mais desafios antes da adoção e, ainda assim, chegaram ao mesmo ponto de desenvolvimento, o que é impressionante”, destaca a pesquisadora Letitia Anne Peplau. “Não há base científica para se discriminar pais gays e mães lésbicas”, completa ela.
Quando lhe perguntaram se as crianças precisavam de uma mãe e de um pai, o pesquisador Jill Waterman respondeu: “Crianças precisam de pessoas que as amem, independentemente do gênero de seus pais”.

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