Manhã de domingo chuvoso no inverno da Flórida, Katiuska Stone, ou Katie, acorda tensa e ansiosa. Mal conseguiu dormir imaginando se conseguiria por em prática, adequadamente, o treinamento recebido para a sua primeira missão como espiã.

Dias antes havia concluído o rigoroso processo seletivo do qual se tornara a primeira agente-secreto transexual da CIA. Um orgulho para quem, até então, só havia trabalhado com programas sexuais e, com muito esforço, como hostess de uma boate/bar GLS de Miami. 

Katie deverá permanecer na boate por mais algum tempo para não levantar suspeitas sobre a nova profissão, pelo menos até ocupar o tal cargo fictício de alguma empresa de fachada que a CIA providenciará como disfarce. Nem mesmo parentes e os melhores amigos podem sequer suspeitar, sob o risco de ser afastada da Agência Central de Inteligência dos E.U.A.

- Que ódio, eu esfregaria isso na cara daquela vampira desdentada [resmunga enquanto se maquia em frente ao espelho manchado do pequeno armário do banheiro] 
A seguir, gira a cabeça, joga para o lado a vasta cabeleira, fruto da economia de 4 meses, ensaia um olhar superior à colega de trabalho e fala em voz alta:
- Euzinha, agente-secreto da CIA e futura empresária. Tá meu bem? [numa cena que provavelmente nunca acontecerá]

Katie pensava em Samantha, a colega de trabalho com quem recentemente teve vários atritos por conta dos muitos atrasos na troca do turno da boate. As faltas foram poucas, mas suficientes para irritar a colega, única da equipe que ainda não engoliu a desculpa usada por Katie. 

O período da seleção e do treinamento na CIA foi difícil. Katie teve que se mostrar convincente na falsa justificativa que dera a seu gerente e aos demais colaboradores da boate. A saída foi inventar uma longa seleção de transexuais para um ensaio sensual de uma conhecida revista de nu artístico. Ela explicou aos colegas que recebera o convite de um olheiro que conheceu na boate e implorou que ninguém divulgasse a informação para não prejudicá-la na matéria da tal revista

Dias após, aconteceu a primeira desavença com Samantha. Durante um dos turnos, um casal amigo de gays parabenizou Katie na porta da boate:
[Namorado1] Poderosa. Vai posar nua e nem fala aos amigos, né? Avisa pelo menos quando a revista estará nas bancas. 
[Namorado2] Seremos os primeiros a comprar.
[Katie] - Nua não, meu bem, sensual. Bicha, nós nem terminamos a fase de seleção. São muitos ensaios e entrevistas. Mas quem falou a vocês?
[Namo1]- Ora, quem? A sua coleguinha, claro. Tadinha, a inveja era tanta que ela quase se despiu aqui na porta para provar que se fosse verdade esse convite para nu artístico, ela teria sido a escolhida, e não você.
[Namo2]- Que bafo. Fiquei passada.

Katie ficou transtornada. Mal conseguia disfarçar na boate que, aquela altura, formava uma fila considerável. Mas conteve-se e teve o discernimento para esperar a raiva passar antes de procurar Samantha. 

Com paciência, conseguiu convencer a delatora de que é necessário se manter neutra, pois o trabalho na boate poderia também ser prejudicado caso a notícia se espalhe: "Os clientes estão parando a fila para averiguar", exagerou na tentativa de induzir a colega. 
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Que missão aguarda Katie como a primeira transexual espiã secreta da CIA?
Continua...

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