O Deputado pelo PSOL-RJ Jean Wyllys dessa vez ganha atenção da mídia e das redes sociais por apresentar um projeto de lei que pretende regulamentar a prostituição no Brasil. Segundo o deputado, em entrevista ao portal UOL, mulheres adultas são forçadas a prestar favores sexuais e a conviver com menores de idade que são também explorados sexualmente dentro de um prostíbulo. O dinheiro arrecadado fica para o cafetão e se alguém resolve denunciar, corre risco de morte. Embora criminosa, esta cena não é tão excepcional quanto parece --  ela faz parte do cotidiano de muitas cidades brasileiras.
No Brasil, prostituição não é crime, é uma profissão legalizada. Ilegais são as casas de prostituição as quais dão margem aos mais diversos tipos de abusos e corrupção. E há uma demanda pelo serviço sexual das prostitutas e dos prostitutos, pois a prostituição não é só feminina. Essas pessoas existem, elas são sujeitos de direitos.”, esclarece Wyllys.

Não é a primeira vez que uma iniciativa como a do deputado Jean Wyllys é levada a cabo no Brasil. O ex-deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) já havia protocolado um projeto semelhante durante seu mandato (1995-2011), mas o texto foi arquivado após ele deixar a Câmara de Deputados. Agora, o tema volta a ganhar força com a expectativa gerada pelos eventos esportivos que estão por vir: a Copa do Mundo, em 2014, e Jogos Olímpicos, em 2016.

As prostitutas se organizaram em um movimento político nos anos 70 e início dos anos 80, um movimento que no Brasil foi encabeçado principalmente por Gabriela Leite, fundadora da grife Daspu e presidente da ONG da Vida. Antes de o projeto ser protocolado, ele foi submetido a várias reuniões com lideranças do movimento das prostitutas e com feministas: "Foi um projeto amplamente discutido", completa o deputado.

Mal chegou ao Congresso e a proposta de regularizar a prostituição já provoca alvoroço entre os legisladores, principalmente na bancada evangélica. Em outra entrevista, ao portal IG, Jean afirmou que são grandes as chances de o projeto ser aprovado porque, segundo ele, “60% da população masculina do Congresso Nacional faz uso dos serviços das prostitutas”. Após a polêmica, Jean divulgou uma nota na qual criticou a forma pela qual a sua declaração foi recebida:

Está claro. Até porque usei o verbo no futuro do pretérito (“diria que 60%…”), tempo verbal que torna relativa e incerta qualquer afirmação. Está claro que não me referi a estatísticas precisas, levantadas por institutos de pesquisas. Considerando que jornalistas fossem capazes de levar em conta essas nuanças da língua, espantou-me a maneira literal como parte da imprensa interpretou a fraseEssa percepção é fruto da realidade que vemos todos os dias, das conversas que ouvimos, da literatura que lemos e dos filmes a que assistimos: sim, as prostitutas existem e a maioria dos homens recorre aos seus serviços. De mais a mais, o fato de que os parlamentares recorrem a serviços de prostitutas já foi divulgado muitas vezes por diferentes veículos de comunicação. É só procurar por essas matérias. Por fim, gostaria de ver os deputados - que se inflamaram com a estatística imprecisa - se indignarem com o que realmente importa, por exemplo, com o fato de os prováveis novos presidentes da Câmara e do Senado estarem envolvidos com denúncias de corrupção e com o fato de muitos deles terem vendido seus votos em matérias importantes.”

Concordo plenamente com a iniciativa do deputado, mas sei que a sociedade brasileira é, em sua maioria, conservadora e hipócrita, por isso duvido que o projeto seja aprovado nessa geração de políticos. Para os reacionários e conservadores é melhor tapar o sol com a peneira não institucionalizando e regulamentando a prostituição no país para que, assim, continue com a ilusão que ela não existe, mesmo que grande parte da sociedade saiba e faça uso dela. Mas, por ora, palmas para o Deputado Jean Wyllys!
Fonte- site oficial do deputado Jean Wyllys
Foto -  Agência Câmara
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Harley Flausino
Sobre o autor:
Formado e pesquisador em políticas públicas sociais pela Universidade de São Paulo. No momento mora em SP onde trabalha com gestão pública cultural. Gosta de escrever sobre sociologia, política e turismo cultural. Criador da comunidade 'Mochileiro LGBT' no Facebook (harley.flausino@gmail.com / facebook.com/harley.flausino)

5 comentários:

  1. sempre vão criticar o Jean, basta ele subir no plenário e abrir a boca. ô lugarzinho hipócrita este brasil-sil-sil, né?

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  2. Jean é o único parlamentar a quem se deve respeito na atualidade ... parabéns a ele por todas estas iniciativas ...

    Parabéns pelo post ...

    bjão

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  3. Vivemos isso no mundo gay.Quantos machões saem com o vizinho gay, o cunhado, o colega de escola, mas se for perguntar sobre o casamento gay:"Ta loco?" Negócio é não desistir da luta.

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  4. O Bolsonaro não é contra os gays. Ele é contra o gayzismo, pelo qual eu, que sou gay, não me sinto minimamente representado. Aliás, só o gay que gosta de ser boi de frigorífco do Jean Wylys é que é contra o Bolsonaro.
    Bolsonaro não é contra os gays. Ele é contra o gayzismo, porque já sacou que esses movimentos, além de estúpidos e arrogantes, querem tirar proveito - vale dizer grana, grana pesada, muita grana - da sexualidade - e, no caso, da homossexualidade - das pessoas.
    Ocorre que esta máscara está prestes a cair. É questão de tempo. Falo isso como gay, pai de dois filhos jovens, ex-marido da mãe deles e vivendo atualmente com um homem. Há pleno respeito entre nós. Amor e respeito. A mãe de meus filhos frequenta minha casa, conhece e respeita meu marido. E eu faço o mesmo em relação a sua casa e ao marido dela. Moramos todos em SP.
    Essa gayzada militante e vagabunda - que fica hostilizando Cristo e todas as demais religiões e que se nutre disso e nutre pastores e safados como Malafaia - deveria ser toda - toda ela - banida desse tipo de assunto.
    Jamais me senti e jamais me sentiria representado por eles. Idiotas que hostilizaram Bolsonaro não percebem - ou, se percebem, fingem não perceber - que safados como Jean Wyllys usam a sexualidade dos outros - uma coisa tão íntima de cada ser humano - para ganhar dinheiro, holofotes e premiações em Oslo, onde comparecem para descrever assassinatos de gays no Brasil – tudo mentira - e – aí, sim, é verdade - beber cervejas especiais e tirar fotografias na neve.
    Mas, repito: esta máscara vai cair. Essa gayzada filha da puta, que nos usa como bois de frigorífico e que enche o cu de dinheiro na Secretaria Especial de Direitos Humanos desse governo facista e racista de Dilma Rousseff e do PT, vai cair. O povo, gays e não gays, vai se dar conta de que não é papel nosso ficar beijando nosso namorado no shopping, enquanto velhinas passeiam com seus animais de estimação, que não nos cabe chocar, que não nos cabe descer imagens religiosas das paredes, que basta viver com dignidade, respeito, discrição.
    Não é papel nosso criminalizar a homofobia, tampouco querer que nossos tios achem um relacionamento gay a coisa mais normal do mundo. O nosso papel é viver em paz e semear a paz e isso jamais será buscado ou conseguido por gayzistas empresariais, a quem interessa inflamar a coisa ao máximo, até que ela venha a explodir, porque daí, afinal, saem a grana e os holofotes.
    Bolsonaro ganhará as próximas eleições presidenciais. E, a cada palhaçada como esta que ele sofreu em Porto Alegre há cerca de duas semanas, aumenta o número de seus admiradores e adpetos.
    E a máscara do gayzismo - aproveitem bem, senhores gayzistas empresariais. Façam aquele pé de meia com a grana da ONG. Comprem aquele apartamento - vai cair por completo nos próximos anos.
    Filhos da puta!

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  5. É claro que vocês não vão "aprovar" o comentário que acabei de enviar. Vocês também são gayzistas empresarias. Filhos da puta. Tenho dito isso a vários amigos gays.
    NÓS SOMOS GAYS, SIM, MAS NOS RECUSAMOS A SER BOIS DE FRIGORÍFICO DE GAYZISMO EMPRESARIAL E VAMOS REAGIR, VAMOS PANFLETAR NAS BALADAS DE SÃO PAULO E DO RIO. MOSTRAREMOS A GAYS JOVENS, LÉSBICAS, TRAVAS, BEARS, A TODOS, QUE ESTAMOS SENDO USADOS COMO BOIS DE FRIGORÍFICO, POR MOVIMENTOS GAYZISTAS QUE LUCRAM - E MUITO - COM A NOSSA HOMOSSEXUALIDADE.
    A MÁSCARA DE VOCÊS VAI CAIR.
    E, SE QUISEREM ME CONTATAR, POIS NÃO: scalfaro@bol.com.br
    Safados, idiotas! Fascistas!

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