Uma parceria firmada entre a prefeitura de Sorocaba-SP e grupos de estudiosos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tem como objetivo a implantação do projeto "Escola de Pais de Homossexuais" cuja finalidade é educar os pais sobre a homossexualidade dos filhos.

Segundo a secretária municipal de Cidadania e Juventude, Edith Di Giorgi, o objetivo é promover encontros semanais com os pais, acompanhados por um especialista, para falar sobre homossexualidade e a relação deles com os filhos. Os filhos também poderão participar de atividades, mas separados dos pais. "Percebemos que é um grupo que sofre com a violência doméstica pela não aceitação dos pais. Eles sofrem dentro e fora de casa", afirma Di Giorgi.

Consultado pelo Identidade G, o presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais), Toni Reis, disse que o Brasil deve priorizar escolas que eduquem alunos e pais sobre a diversidade sexual humana, dando a entender que o esquema da prefeitura de Sorocaba é um salto maior que as pernas, pois, antes, a população deve ser informada sobre a sexualidade como um todo.

Como forma de abrir o entendimento, Toni Reis apresentou dois estudos de sua autoria: um programa de pós-graduação, intitulado "Sexualidade, Ética e o Princípio do Consentimento em Alan Soble" e a tese de doutorado em educação "Homofobia no Ambiente Escolar".

Devido à dinamicidade do blog, não é crível apresentar vários trechos dos amplos estudos, contudo, numa breve passagem de olhos no segundo documento, há algumas considerações que, além de ratificar o entendimento acima, merecem destaque:

A primeira faz referências às disposições específicas sobre a educação formal contidas na Constituição (art.  227). Ali, os preceitos mais abrangentes sobre as condições que devem ser garantidas na infância, adolescência e juventude de uma pessoa, primam pela cidadania plena, com ênfase na não discriminação e na eliminação de outros fatores de degradação e exclusão.

A segunda é sobre a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jomtien, na Tailândia em 1990. Os participantes aprovaram a "Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem" a qual, embora não aborde minorias sexuais, estabelece que “os preconceitos e estereótipos de qualquer natureza devem ser eliminados da educação. 

Já a Declaração de Salamanca, de 1994, traz princípios que deveriam ser universais em relação ao respeito à diversidade humana no ambiente educacional, inclusive à diversidade sexual, com forte enfoque na inclusão: “Principio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter”.

A conclusão é que há muitas ações a serem providenciadas para o enfrentamento da homofobia nas escolas, pois ainda são incipientes. Há a percepção de que fatores culturais dificultam esse processo, conforme a citação abaixo:

"...por trás da imagem de liberalidade que o senso comum atribui ao povo brasileiro, particularmente em questões comportamentais e de sexualidade, há graus de intolerância com a diversidade sexual bastante elevados – coerentes, na verdade, com a provável liderança internacional do Brasil em crimes homofóbicos. O que indica que há muito por fazer, em termos de políticas públicas, para tornar realidade o nome do programa da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, criado em 2004, Brasil sem Homofobia – ele mesmo, segundo a pesquisa, conhecido por apenas 10% da população (2% dizem conhecê-lo de fato e 8% já ouviram falar) (VENTURI, 2008)."

Por outro lado, o professor, historiador e blogueiro, Lenin Campos, o Foxx do Estórias do Mundo, tem uma opinião mais positiva sobre a 'escola': "O projeto não muda o mundo, mas pode transformar uma família. Ajuda sobretudo a evitar que adolescentes sejam expulsos de casa por serem gays. Uma escola como essa ajudaria os pais a lidar com as expectativas frustradas que eles têm. Muitos sofrem por causa dos planos e sonhos que fazem para os filhos", conclui o professor.

O projeto começará a funcionar a partir de abril em Sorocaba e, a princípio, na sede da Secretaria de Cidadania de Sorocaba. Interessados podem ligar para o telefone (15) 3219-1920.


3 comentários:

  1. é, eu discordo do Tony Reis, são objetivos diferentes, mudar a educação é importante para mudar o mundo todo, de fato, é o lugar onde se pode acabar com a homofobia de fato. Mas isso é para as próximas gerações, educar as crianças na escola vai criar pais no futuro, uma sociedade no futuro, que não será mais homofóbica. Mas educar os pais trata de outro problema, protege as crianças de agora, as
    que já podem estar sofrendo bullying, problemas de aceitação ou em casos mais graves evita que tenham que viver na rua, prostituindo-se para sobreviver. É uma ação específica para resolver um problema.

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  2. Concordo com o Foxx. Existe o agora a resolver e o futuro a prevenir.
    Abraços

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  3. O Foxx não está errado mas isto não invalida a iniciativa ... só precisa de novos atitudes complementares ...

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