[Por Marcos Alexandre]

Este é o primeiro texto que escrevo especialmente para o IdentidadeG. A ideia é criar uma coluna de cinema com enfoque em proporcionar referências culturais para quem gosta (ou quer aprender a gostar) de cinema. Além de material inédito, vou publicar aqui algumas versões "remasterizadas" de textos anteriores com conteúdo relevante para criar a base de dados deste espaço que visa à apreciação da sétima arte.

A imagem mais comum de cinema são os filmes e os atores norte-americanos. Hollywood moldou e popularizou a sétima arte em seus anos dourados, e após gerações continua a dominar (apesar de não mais monopolizar) o conteúdo cultural cinematográfico no inconsciente coletivo e no nosso cotidiano.

Inevitavelmente, a maior parte de meus artigos será sobre produções e personalidades do cinema dos Estados Unidos. Portanto, quero começar meu espaço aqui no IdentidadeG de maneira alternativa, falando sobre um filme diferente - que é um dos meus preferidos e certamente um dos melhores com tema GLBT já realizados. Trata-se de Satree lek, produção tailandesa do ano 2000 lançada no circuito internacional em 2001 com o nome The iron ladies e em 2003 no Brasil em DVD com o título As damas de ferro. A coluna estreia, portanto, homenageando o aniversário de 10 anos do lançamento do filme por aqui.


Quem está acostumado às produções comerciais logo percebe em Satree lek a falta de efeitos especiais e de cenários caprichados. E é aí que reside seu grande mérito cinematográfico: basear-se no roteiro e na direção de atores em vez de distrair o espectador com extravagâncias. De poucas obras pode-se dizer o mesmo.

Satree lek conta a história real de um time de vôlei com jogadores gays, um capitão heterossexual, uma treinadora lésbica, uma jogadora transexual e um travesti. Tal time, do distrito de Lampang, venceu o campeonato nacional da Tailândia em 1996. O filme recebeu algumas premiações em festivais gays ao redor do mundo e foi o primeiro trabalho do diretor Yongyooth Thongkongtun. Foi também a produção tailandesa mais vista mundialmente e a segunda maior bilheteria da história do cinema local. Uma sequência foi lançada em 2003 e foi relativamente bem aceita pelo público, mas não obteve o sucesso comercial do filme original.


Em Satree lek, a bee pintosa é a que mais aparece. Assim como na vida real, quem dá mais pinta é mais notada. Mas o time conta também com representantes das "minorias": um homem heterossexual e um gay que não é afeminado. Estereótipos à parte, o filme traz uma importante mensagem de coragem e de tolerância. A de que ser gay é muito mais que saber cantar todas as músicas da Lady Gaga ou andar de mãos dadas com o namorado na parada. Satree lek é uma comédia - mas é também um filme de rara sensibilidade, que cativa e emociona profundamente ao mostrar a humanidade e a dignidade das pessoas que diferem do padrão heterossexual. Um filme para ver, rever e amar.

Marcos Alexandre

Trailer:
     

Marcos Alexandre
Sobre o autor:
Escritor, lançou o e-book www.peliculacorderosa.wordpress.com. Entre 2004 e 2009 atuou como colunista de cinema com temática LGBT na revista G Magazine e em diversos sites de SP, RJ e Brasília (Mix Brasil, Cineminha, Gay Brasil, GLX, Parou Tudo e outros). Mora atualmente em Joinville e dedica seu tempo ao tarô e à quiromancia (www.leiturademaos.wordpress.com)

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