A matéria que você vai ler a seguir saiu anteontem em um dos maiores jornais ingleses, o "The Guardian". Ela transcreve as barbaridades que o atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o pastor e deputado Marco Feliciano, já falou e/ou publicou a respeito de gays e negros, além de questionar a credibilidade do país diante de tamanha incoerência. Leia tudo. Tradução: Identidade G.

Foto: Pilar Olivares/REUTERS

Chefe de comissão de de direitos humanos no Brasil é acusado de racismo e homofobia

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados do Brasil deveria promover tolerância e compreensão, mas vive épocas profanas sob o comando de um polêmico pastor que recentemente se tornou seu presidente.

Marco Feliciano, pastor evangélico do partido Social Cristão, é acusado de racismo, homofobia e de expulsar pessoas das sessões que, antes do comando dele, eram abertas ao público.

Até a noite de quarta-feira, a comissão decidiu fazer reuniões a portas fechadas para evitar interrupções das sessões por críticas a seu presidente que se tornou foco de preocupações de que o Brasil está se tornando um país menos liberal.

Grupos de direitos humanos e celebridades pedem a renúncia de Feliciano em razão de seu fanatismo aparente.

Em sua página do Twitter Feliciano chegou a declarar recentemente que a Aids é um "câncer gay". Antes, ele já havia declarado que os africanos são "amaldiçoados desde os tempos de Noé". O político nega que seus comentários ou pontos de vista sejam preconceituosos.

Feliciano foi eleito presidente da CDHM no mês passado como fruto de negociatas entre as principais frentes e partidos do Congresso. Como único candidato ao cargo, sua idoneidade não foi posta em cheque por políticos, mas a sociedade civil eclodiu em indignação.

"Um congressista intolerante não deve comandar uma comissão que visa acabar com o preconceito", escreveu a Avaaz em petição que pede o afastamento de Feliciano e por meio da qual obteve 465 mil assinaturas. Uma das maiores campanhas online do país. 

O jornal Folha de São Paulo publicou uma pesquisa online perguntando se Feliciano deveria renunciar. Apesar da campanha do deputado e de seus partidários para que leitores votassem a seu favor, 80,6% dos 100.320 entrevistados concordaram com a renúncia do atual presidente da CDHM.

Anonymous, um grupo de hackers, se uniu à campanha liberando documentos que, segundo diz, são sobre os financiadores/mantenedores de Feliciano.

A assessoria da comissão recusou o pedido do "The Guardian" para comentar. Mas o deputado já prometeu publicamente não se curvar diante de seus críticos, a quem acusa de distorcer seus comentários.

"Eu não sou homofóbico", Feliciano disse num sermão recente. E acrescentou: "Eu sou contra a promiscuidade deles. Não quero que minhas filhas saiam nas ruas e vejam homens com pernas depiladas se beijando. A família brasileira deve ser respeitada..."

Ele escreveu no Twitter que seus comentários sobre Noé não constituem racismo e disse em entrevistas que sua mãe e padrasto são negros.

Ele não consegue convencer um número crescente de celebridades que se declaram publicamente contrários a sua ocupação na presidência da CDHM.

Uma das cantores mais populares do país, Daniela Mercury, disse ao site de notícias G1 na última quarta-feira que ela vive hoje um relacionamento lésbico com a jornalista Malu Verçosa: "Eu estou amando a Malu, o Brasil e as liberdades individuais. Não podemos ignorar as conquistas que temos conseguido. Não podemos andar para trás como os Felicianos do mundo. "

O clamor se espalhou para protestos de rua em Copacabana numa manifestação em frente da embaixada de Paris.

O trabalho da comissão - que supostamente é ponderar e elaborar leis para casos de violações dos direitos humanos - também foi interrompido por ativistas.

Feliciano conquistou o apoio de muitos parlamentares da frente evangélica que é tem força crescente na política brasileira.

Em seu perfil do Twitter, o pastor e deputado inclui mensagens de apoio de vários outros pastores, incluindo uma que, retuitada por ele, diz que pais gays adotivos estupram seus filhos.

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2 comentários:

  1. Isto é uma vergonha.
    {e a prova que os politicos Brasileiros Repudiam,pisam em cima rindo dos Brasileiros em geral.
    Já não basta ser um pais sem lei agora temos que engolir este deputado(que se diga de passagem muito suspeita a opção sexual do propio).
    Vamos tomar vergonha Brasil e povo vamos deixar de ser tão passivos perantes essas politicagens Brasileiras.

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  2. Essas serpentes tiradas da fossa do inferno (vide Pastor Feliciano), se criam dentro das igrejas para infernizar a vida da humanidade.
    O pior que a humanidade é tão sem vergonha que ainda lotam igrejas.

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