Há pouco mais de um mês, assisti no YouTube ao clipe de "Matéria Prima Original", do cantor Juninho Lutero. O arranjo da música é um gospel/hip hop e a letra uma provocação ao casamento gay. A afronta seria desnecessária não fosse a forçada intenção de ganhar destaque e promoção na mídia.

Para contrabalançar o preconceito, fantasiado de boas intenções, o clipe exibe cenas de uma família tradicional vivendo momentos felizes -- bem no estilo comercial de margarina.

Na ocasião, achei  que não valia a pena criar uma matéria no Identidade G -- preferi poupar os leitores de mais um sensacionalismo enfadonho. Não dá para admitir mais oportunismos dessa estirpe, que visam polemizar uma etapa ultrapassada. É patente o avanço dos direitos LGBT no país e no mundo. 

A sociedade tem que se adequar à nova realidade e olhar para frente. A família tradicional sempre existirá e será o grande modelo. Os gays não invadirão igrejas e lares; querem direito ao casamento em número  proporcional a sua parcela populacional, o que, aliás, a torna sempre uma minoria nas estatísticas demográficas. 

De volta à música, o caso sofreu uma reviravolta. Devido a denúncias de usuários, o YouTube censurou o vídeo, passando a alertar o usuário de que o mesmo é inapropriado para menores de 18 anos. Isso se deve ao eventual conflito que pode ser gerado ao discernimento do internauta de menor faixa etária.

Indignado, o cantor gravou outro vídeo se rebelando contra a repreensão. O que causa espanto é a desfaçatez de seu argumento: “Acreditem! O meu clipe, que só contém imagens de um casal ‘hetero’ com seus dois filhinhos celebrando um momento de felicidade, foi considerado impróprio, inadequado, para crianças menores de dezoito anos”.  

As imagens do videoclipe são lindas e admiráveis realmente. O problema é a mente distorcida do cantor refletida na letra de sua música que, entre outras imprudências, afirma que homossexualidade "é antinatural". "Tudo se trata de um contexto social, de uma certa doença que vem do mundo espiritual; que deseja acabar com a família e todo senso moral, promovendo a perversão e insaciável desejo carnal..."

Juninho é ainda irônico e parabeniza o movimento LGBT por ter conseguido limitar o acesso ao videoclipe. Segundo diz, ele é vítima de perseguição por ativistas gays que, além de criarem perfis na rede social somente para denunciar o vídeo, o ameaçam com a possibilidade de ação judicial.

Quem merece parabéns de fato é o próprio Juninho Lutero. É mais um que se autopromove graças à causa dos homossexuais.

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