No livro, o jornalista e escritor John Schwartz menciona pesquisa publicada no periódico científico "Pediatrics", na qual aponta um dado alarmante: crianças LBGT rejeitadas pelos pais correm um risco seis vezes maior de sofrer com níveis altos de depressão e oito vezes maior de cometer suicídio

A postagem tem como fonte a matéria escrita por Fábio de Oliveira, encontreda no BOL Notícias. Aborda o livro escrito pelo jornalista norte-americano, John Schwartz (New York Times, The Washington Post e Newsweek), que narra a história da família Schwartz desde que o escritor e sua mulher, Jeanne, se deram conta de que o caçula Joseph [ou Joe] era uma criança diferente -- o casal tem mais dois filhos.


A obra em questão é intitulada Oddly Normal – One Family's Struggle to Help Their Teenage Son Come to Terms With His Sexuality ou "Estranhamente Normal – A Luta de Uma Família para Ajudar Seu Filho Adolescente a Aceitar Sua Sexualidade", em tradução livre para o português.

Tentativa de suicídio

Schwartz relata as dificuldades com as quais a família se deparou, principalmente após Joe tentar se matar em 2009, aos 13 anos de idade. Na ocasião, o adolescente já havia saído do armário em casa e tentava fazer o mesmo no ambiente escolar.

Certo dia, na escola, o adolescente passou a atribuir notas aos colegas do sexo masculino, de acordo com seus atributos físicos. Foi uma tentativa de colocar os garotos na mesma situação das meninas que eram, até então, alvos de avaliação nessa brincadeira de clube do bolinha.

A turma não gostou e reclamou com um supervisor. O caso foi parar nos corredores da escola e, horas mais tarde, Joseph foi parar no hospital depois de engolir várias cápsulas de um anti-histamínico. 

Superando a "auto-infelicidade"

Joe e Jeanne - Foto: Facebook
Pelo modo como John respondeu às perguntas da reportagem, enviadas por e-mail, percebe-se que a homossexualidade do filho caçula era algo percebido desde a infância e que isso nunca foi problema para a família. Mas o jornalista adverte que isso é uma exceção.
Depois de tudo por que passamos, sentimos que outros pais poderiam se beneficiar ao ouvir nossa história. O livro conta o que vivenciamos ao criar Joseph e como foi ajudá-lo a superar sua própria infelicidade e isolamento ao lidar com escolas e pessoas que praticavam 'bullying'. É preciso uma vigilância real na escola e nas famílias, pois o tema é muito sério, diz Schwartz. 

O pai experimentou sexo com homem para saber se é hétero?

O psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Identidade Sexual do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo,  Alexandre Saadeh, explica que "para a mãe e o pai, não é fácil". Edith Modesto, terapeuta especializada em diversidade de orientação sexual e identidade de gênero, de São Paulo, completa: "Eles geralmente não foram preparados para uma criança diferente e têm internalizado aquela ideia do menino que vai crescer, pegar todas, depois se casar e ter filhos e da menina que vai namorar um rapaz de caráter, se casar, trabalhar, ajudar o marido e lhes dar netos". 

Não raro, há os que pensam que a homossexualidade de seu descendente é provocada por problemas hormonais e aqueles capazes de contratar garotas de programa para fazer sexo com o jovem. Sem contar os que se indagam como o filho sabe que é gay se nunca transou com uma mulher. A esse questionamento, Edith, que é fundadora do GPH (Grupo de Pais de Homossexuais), retruca: "O pai já teve relações com um homem para saber se é hétero?"

Ser gay está além do controle de qualquer um

Foto: Fan page do livro no Facebook
De acordo com Schwartz, há muitas famílias nos Estados Unidos que rejeitam seus filhos homossexuais, como em qualquer outro lugar do mundo. "É trágico, especialmente quando você entende que o fato de ser gay está ligado a fatores que estão além do controle de qualquer um. Então, por que rejeitar uma criança, maltratá-la ou fazê-la infeliz por uma coisa que ela não pediu?" 


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