Marina Silva acha que críticas contra Marco Feliciano se referem ao fato de ele ser evangélico, mas ressalta que é contra a presença do deputado na Comissão de Direitos Humanos


A ex-senadora-ministra e futura candidata à presidência da República, Marina Silva, reúne qualidades que faltam à maioria dos chefes do Executivo, principalmente integridade. Garra e perseverança são atributos também notórios. Vinda de um seringal chamado Bagaço (a 70 km de Rio Branco), foi alfabetizada aos 16 anos e aos 26 já se diplomava historiadora pela Universidade Federal do Acre. A carreira política, claro, super-bem-sucedida. Não à toa, obteve quase 20 milhões de votos válidos nas eleições presidenciais de 2010.

Durante recente debate com estudantes da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), em Recife, a ex-senadora declarou que "Feliciano está sendo criticado por ser evangélico, e não por suas opções politicas equivocadas". Segundo ela, as pessoas acabam combatendo um preconceito com outro. 

Marina se diz grande defensora do Estado laico, mas vive polemizando assuntos que são justamente os mais perseguidos pelos religiosos fundamentalistas (ela é evangélica praticante da Assembleia de Deus). 

Em 2010, declarou ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, embora a favor da união estável entre homossexuais. Em outra oportunidade, se posicionou contra as pesquisas com células-tronco embrionárias e a descriminalização do aborto, embora favorável à realização de plebiscitos sobre os dois temas. E já se disse contrária à legalização da maconha, apesar de também defender consulta popular. 

Agora, enquanto é o próprio deputado-pastor-presidente da CDHM, Marco Feliciano, quem se autodestrói perante o Brasil inteiro (repercutindo em vários países) com ideias, declarações e comportamento pra lá de duvidosos, desequilibrados, e com ações que respingam na justiça (responde judicialmente até por crime de estelionato), Marina Silva acha que o pastor é perseguido por ser evangélico. É sério isso?

Para alguém com objetivos políticos tão ambiciosos é, no mínimo, uma incoerência. Se bem que, verdade seja dita, pode ser uma questão de lealdade aos princípios pessoais e religiosos. Se for o caso, então é melhor decidir: ou se candidata à presidência da República em 2014 ou à presidência da Assembléia de Deus. Afinal, o país é constitucionalmente laico -- pressupõe a não interferência da igreja em assuntos políticos e culturais.  O que não pode é deixar de ser quando convém, né Marina?

2 comentários:

  1. Concordo contigo, Marina surgiu como terceira via ao já combalido embate entre PT/PSDB, como um bastião da ética e da responsabilidade política. Contudo, ao defender um político explicitamente racista, homofóbico e machista, pela simples razão de pertencer à mesma religião que ela segue, depõe contra seu projeto político e demonstra não estar à altura de governar um Estado laico.

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  2. depois de tudo o que vc falou, vc ainda acredita que ela tenha integridade? nunca confiei na Marina, desde quando ela se candidatou pela primeira vez, ela é apenas mais uma conservadora que se veste de revolucionária porque foi educada que os revolucionários são intelectualmente superiores, conheço o cheiro dessa laia de longe, convivo com um.

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