Escrever sobre comportamento, postura e afins é complicado porque tem a ver com educação e a liberdade que as pessoas têm, recebem ou conquistam. E gera polêmica chata. Mas quem sai na chuva se molha, nem que seja pelos respingos das poças.

Como internauta, não sou mais o tipo que se deixa influenciar por comentários, seja como blogueiro ou mero espectador. No início até que sim. Hoje, não mais. 

Revolução da comunicação

É inegável o poder da rede. Ela alterou absurdamente o modo pelo qual as pessoas se comunicam desde que possibilitou, globalizou e massificou a interconexão entre todos os homens do planeta. Por outro lado, essa nova maneira de comunicação é tão mutante quanto o vírus da gripe -- rapidamente ao longo de curto espaço de  tempo.

Do marco zero pra cá, a polidez se transforma em grosseria e sinceridade em desacato. Facilmente confundem a informalidade da rede com balburdia, em um lugar onde o imediatismo prepondera sobre a reflexão e o parece ser sobre o ser.

Em português simplório, não basta ou não convém mais ao navegador da rede discordar e debater. Enquanto tira meleca do nariz e limpa o dedo no pijama ou ceroula que usa há cinco horas, ele simplesmente xinga o político, o religioso, o artista ou a professora que usufruem da mesma liberdade de escrever ideias, dogmas, aulas, artes, etc. Ele desconsidera que a sua liberdade termina quando começa a do outro. 

Sociedade real x sociedade em rede

A banalização do meditar faz com que pessoas ignorem um dos maiores trunfos da rede: o dissolvimento da hierarquia institucional para se buscar igualdade, direitos e justiça social. Estou quase chegando ao universo dos gays, mas até aqui me refiro ao clamor por justiça social e direitos do homem comum, cidadão, consumidor, eleitor, estudante, profissional e etc.

Antes da internet não havia liberdade para as pessoas lutarem por ideais, a não ser pelo único caminho arcaico, burocrático e demasiadamente hierárquico das instituições físicas. O mundo virtual vem reduzindo isso tudo a pó.

Os gays, calados e submetidos a caridades sociais por séculos na sociedade real, revolucionaram seu lugar nessa sociedade em rede gerada pelo cibermundo. Por aqui, fulanos de sobrenomes pomposos, ou os filhos deles, devem se contentar com o espaço democrático. A qualquer pessoa é dado o direito de despejar insatisfações ou desconfortos políticos, sociais e econômicos, seja pelo seu próprio blog/site ou pelo dos outros. E melhor: sem fronteiras e sem alvará da prefeitura. Acabou o carimbo que arquivava o desejo em nome da  falsa moral dos "chefes de seções". 

Os gays puseram púlpitos virtuais nas ruas e praças cibernéticas e se organizaram social e politicamente. Criou-se então uma estrutura nunca antes possibilitada. A repercussão disso para a sociedade é o estranhamento da postura dos homossexuais. Antes mais comumente vistos como bobos da corte, agora se tornam arredios, chatos, repetitivos. Se tornou lugar-comum ouvir e ler que os gays estão ficando "insuportáveis com esse 'negócio' de direitos".

Melhor seria que todos tomassem ciência de seus próprios direitos e deveres e usassem a internet para reivindicá-los ao invés de apontar os gays como aborrecidos ou de declarar que eles estão perdendo a "graça". Certamente há muito o que fazer. Dá-se conta do que pode ser melhorado em qualidade de vida é mais produtivo do que vigiar a liberdade alheia.

Diversão

Diversão é bom e também faz parte. A diferença é que a do mundo real é mais difícil de se deixar dominar porque somos fiscalizados e cobrados para o trabalho, estudo e demais responsabilidades -- as coisas chatas. Virtualmente, ela está quase exclusivamente sob o nosso crivo. Mas é bom ter cuidado para não transformar a vida em recreio e nos tornar seres alienados .

5 comentários:

  1. http://boyofthebadrevolution.wordpress.com/ aceita parceria? já coloquei o seu link no meu!

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  2. Vale um texto sobre a real força do ativismo virtual frente à instituições. Rede social, pra mim, é só fofoca. Nem opinião é verdadeira porque todo mundo sabe que só tem pose no Facebook. E a política ainda está nas instituições. Logo, discursos e práticas que não se institucionalizem, só farão barulho.

    Esses abaixo assinados do Avaaz são a prova mais pura que não servem PRA NADA. Pode ter os 200 milhões de brasileiros votando que não dá em nada, pois não é uma instituição com legitimidade política (somente "fofocal").
    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2013/05/1273084-campanha-contra-pastor-marco-feliciano-psc-sp-perde-folego-na-internet.shtml

    Vale um texto sobre "será que o clima de novelas, Facebook, artistas e PT no poder não criou um ambiente que parece que a homofobia tá acabando, mas na verdade, não está?". É um tema velho de ilusão e realidade, mas aplicado ao ativismo LGBTT. Uma boa pauta e dá discussão. De imediato, tá provado que clicar em "curtir", "compartilhar" não é política ainda.

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  3. bando de sem o que fazer msm.vcs

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