Por Marcos Alexandre
Película Cor-de-rosa

Hoje quero dedicar minha coluna a Querelle, um filme que eu havia listado para entrar no livro Película cor-de-rosa. Como o projeto do livro abria espaço para apenas 10 títulos, este acabou sendo cortado na edição final - porém, também é um título de temática GLBT revolucionário tanto na estética quanto no conteúdo e que merece ser assistido pelos cinéfilos interessados no assunto. O filme é uma produção franco-alemã de Rainer Werner Fassbinder, um ícone da década de 1970 que cravou seu nome na história da sétima arte e na história da cultura gay.

Nascido na Alemanha em 1945, aos 15 anos de idade Fassbinder parou de estudar, assumiu sua homossexualidade e abraçou o teatro político e a arte de vanguarda. Aos 21 anos iniciou uma carreira de cineasta que lhe renderia prêmios e reconhecimento mundial de público e crítica até sua morte prematura aos 37 anos, apenas 2 meses antes do lançamento de Querelle.

Baseado no clássico homônimo de Jean Genet e estrelado por Brad Davis e Franco Nero, Querelle foi filmado inteiramente em um estúdio com grandes cenários estilizados para contar a história de um marinheiro
que usa o próprio corpo para conseguir seus objetivos seduzindo todos os homens que encontra. O filme tem muitas cenas de homens musculosos sem camisa e de relações sexuais, mas quase nada é explícito. O erotismo e a tensão sexual ficam por conta da bela fotografia, que usada como instrumento narrativo cria um experimento cinematográfico de sensibilidade incomum - isso sem mencionar os diálogos desconcertantes, como este entre dois personagens masculinos:

- Você gosta de me foder?
- Por que não? Não é ruim. Mas se eu dissesse que sinto algo por você, estaria mentindo. Nunca entendi como alguém pode se apaixonar por um homem.
- Eu jamais me apaixonaria por um homem. Deixei você me foder porque eu gosto.
- Mas você já tentou foder um cara?
- Nunca. Nem estou interessado.
- Mas você não se importa que outros caras te fodam?
- Como eu disse, é só por diversão.

Querelle é um filme sobre sexo por vezes difícil de ser compreendido - mas que certamente significa paixão (e diversão!) para todos que amam cinema.
Marcos Alexandre
Sobre o autor:
Escritor, lançou o e-book www.peliculacorderosa.wordpress.com. Entre 2004 e 2009 atuou como colunista de cinema com temática LGBT na revista G Magazine e em diversos sites de SP, RJ e Brasília (Mix Brasil, Cineminha, Gay Brasil, GLX, Parou Tudo e outros). Mora atualmente em Joinville e dedica seu tempo ao tarô e à quiromancia (www.leiturademaos.wordpress.com)

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