Sem dúvida, o esporte tem levado a Rússia ao centro das atenções no mundo. Mas infelizmente isso vem acontecendo graças ao empurrãozinho da homofobia, depois da polêmica lei antigay que proíbe qualquer pessoa, física ou jurídica, falar sobre homossexualidade em ambientes onde tenham menores de 18 anos de idade (ou seja, em qualquer lugar). 

Essa lei coloca em xeque a realização da Olimpíada de Inverno de 2014 na Rússia. Vários atletas criticaram a posição do País, gerando, inclusive, um abaixo-assinado e uma ameaça de boicote. Para tentar reverter toda essa pressão, o governo russo utilzou um recurso, digamos, sagaz. Mascarar a intolerância e preconceito com a imagem da atleta mais conhecida, e uma das mais destacadas no mundo, a atual campeã mundial do salto com vara, Yelena Isinbayeva. Com texto pronto, a atleta declarou em entrevista coletiva nesta quinta-feira (15/08) o seguinte:
Se permitirmos promover e fazer esse tipo de coisa [homossexualidade], tememos muito por nossa nação porque nos consideramos normais, com um padrão. Nós apenas vivemos com homens ao lado de mulheres, e mulheres ao lado de homens. Tudo deve estar bem. Isso vem da história. Nós nunca tivemos problemas assim na Rússia. E não queremos ter problemas assim no futuro.
A atleta também criticou as suecas Emma Green-Tregaro e Moa Hjelmer, esportistas que pintaram as unhas com as cores do arco-íris, da bandeira homossexual, em forma de protesto, apesar de Tregaro afirmar que não foi essa sua intenção.
É desrespeitoso com o nosso país. É desrespeitoso com nossos cidadãos porque somos russos. Talvez sejamos diferentes de outros europeus e de pessoas de diferentes países. Nós temos nossa casa e todos devem respeitar. Quando chegamos a outros países, tentamos seguir as regras deles.
Foto postada pela atleta sueca no Instagram
Tregaro afirma que a pintura de suas unhas foi uma sugestão de um amigo. "Eu não diria que foi um protesto, mas sim uma afirmação do que eu sinto. Normalmente eu faço as minhas unhas de um jeito que eu me sinta bem e isso (as cores da bandeira gay) foi apenas um jeito que eu achei para demonstrar".

Em relação as Olimpíadas, Isinbayeva foi enfática. "Todos podem participar, todos podem competir (nas Olimpíadas de Verão), mas com certeza eles vão promover relações homossexuais nas ruas e isso será desrespeitoso com os nossos cidadãos porque somos todos, no fundo, contra isso. Nós, russos, somos diferentes do restante da Europa, diferente das pessoas dos outros continentes. Nós temos as nossas leis e vocês tem que respeitá-las. Inclusive, eu concordo com elas".

A repercussão parece que pegou muito mal e colocou em risco até mesmo a participação da atleta russa nos jogos olímpicos de inverno em seu próprio País. Diante disso, ela já se retratou em comunicado oficial:
Quero deixar claro que respeito os pontos de vista de meus companheiros atletas e quero expressar de maneira firme que me oponho a qualquer discriminação contra a comunidade gay a respeito de sua sexualidade [o que iria contra a Carta Olímpica]. O inglês não é minha língua materna e acredito que aconteceu um mal-entendido quando falei ontem. O que queria dizer é que as pessoas devem respeitar as leis de outros países, particularmente quando são convidados.
Fonte: Globo.com 

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