O advogado do soldado Bradley Manning, 25 anos, declarou que seu cliente quer de ser tratado como mulher e ser chamado de Chelsea. Na última quinta-feira (12/09), o anúncio deixou os apresentadores de telejornais, repórteres e editores tropeçando nas palavras desde então.

O site Wikipedia, desde a segunda quinzena de agosto, já substituiu o nome de Bradley por Chelsea:

"Chelsea Elizabeth Manning, nascida com o nome de Bradley Edward Manning (17 de dezembro de 1987), é um soldado do Exército dos Estados Unidos que foi presa e processada por acesso e divulgação de informações sigilosas. Sua detenção foi realizada em maio de 2010, enquanto servia às tropas norte-americanas no Iraque."

Com isso, explodiu um debate nas redações, blogs e no Twitter. Na entrevista do advogado David Coombs no programa “Today”, a apresentadora Savannah Guthrie usou ambas as referências, mas muitos meios de comunicação continuaram a se referir a Manning como “ele”.

Erin Madigan White, porta-voz da agência de notícias Associated Press, disse que a empresa iria seguir seu próprio manual, que orienta os jornalistas a “usar o pronome preferido pela pessoa em questão”. Na mesma noite, a AP atualizou sua política e disse que ia usar referências neutras a Manning.

Foto: AFP
A National Public Radio vai continuar a ser referir a Manning como “ele”. “Até que o desejo de Bradley Manning seja acompanhado por uma mudança física, usaremos pronome masculino para identificá-lo”, disse a porta-voz.

Rich Ferraro, porta-voz do grupo de direitos dos homossexuais Glaad, tem procurado órgãos de imprensa para que mudem a maneira como se referem a Manning: "Toda a cobertura da mídia mostra como a imprensa está ultrapassada na questão de transgêneros", disse Ferraro.

O manual do “New York Times” orienta os jornalistas a se referirem à pessoa da maneira que ela preferir. Mas Dean Baquet, diretor de redação, disse em um e-mail:
Em geral chamamos as pessoas por seu novo nome quando nos pedem e quando realmente começam suas novas vidas. Neste caso, julgamos que nossos leitores ficariam confusos se de uma hora para a outra mudássemos o nome e o gênero de uma pessoa no meio de um grande caso jornalístico. Não se trata de decisão política. É destinada ao nosso alvo principal, nossos leitores.
Alguns meios de comunicação, como o site The Huffington Post, seguiram o desejo de Manning. A revista “New York”, que também se refere ao pivô do caso WikiLeaks como “ela”, explicou sua decisão: “O que de pior poderia acontecer? Ela muda sua opinião e voltamos a chamá-la de ‘ele’? Mesmo o pior cenário é tão ínfimo que não constitui um problema.”
Fonte: O Globo

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