Por Marcos Alexandre
Coluna Película Cor-de-rosa


'I SING THE BODY ELECTRIC'

Fame é muito mais que um filme de 1980 que conta a história de alunos de segundo grau de uma escola de artes em New York: trata-se de uma obra que construiu alicerces cinematográficos tão importantes que é até hoje assistida e estudada para que se possa entender o cinema com real profundidade.

O filme foi dirigido por Alan Parker, cineasta britânico que começou a carreira como publicitário em Londres. Seu primeiro grande sucesso foi o denso The midnight express (O expresso da meia-noite), de 1978, indicado a 6 Oscars. Se tivesse sido dirigido por outra pessoa, Fame não teria a mesma profundidade, mesmo tratando de um assunto superficial à primeira vista: a vida escolar de um grupo de adolescentes. Prova disso é o remake lançado em 2009: dirigido por Kevin Tancharoen (especializado em vídeos musicais), o filme é uma versão bem mais leve que o original. Ele tem a mesma premissa – mas não tem drogas, nem conflitos e, sinceramente, nem é muito bom (apesar da presença de Megan Mullally e Kelsey Grammer no elenco).


Um dos aspectos mais interessantes de Fame (o original) é o retrato do preconceito racial, social e sexual sob a luz da história ocidental recente. É interessante ver como algumas coisas mudaram nestes mais de 30 anos desde o lançamento do filme – e como outras continuam as mesmas depois de tanto tempo. Neste sentido, Fame foi um grito de liberdade de uma geração de precursores do que hoje vivemos no nosso dia a dia e da nossa realidade de internet e fama fácil.


Outros aspectos relevantes são a cena em que a personagem Doris Finsecker vai assistir ao filme The Rocky Horror picture show, o teste de Coco e, para abordar a questão da homossexualidade especificamente, a cena da canção Is it okay if I call you mine?

Fame é um tesouro cinematográfico, sensível e delicado com um grande subtexto que se aprofunda a cada vez que o filme é revisto – característica de poucas obras do cinema.


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