Como conversar com a criança sobre isso? A psicóloga Adriana Nabahan Braga explica o melhor jeito.

Não fuja

Segundo a psicóloga, não há a idade e fórmula certas para abordar esse tema. “Esse tipo de informação deve sempre ser tratado em casa e os pais não devem desviar o assunto ou fugir das perguntas”, afirma. As questões que a criança traz para dentro de casa devem ser respondidas pelos pais, principalmente porque ela vai elaborar os seus conceitos a partir do que o pai e a mãe demonstrarem nas respostas. “Se os pais tiverem dúvidas de como responder, é importante que não tenham medo de consultar um especialista”, diz. Mudar o discurso pode confundir a cabeça da criança.

Não complicar

Durante o processo de aprendizado, a criança manifesta curiosidade sobre questões que ainda desconhece. A dica é responder apenas o que a criança pergunta e dar um tempo para ela entender o que foi explicado. “Os pais devem sempre priorizar a naturalidade. Falar de modo simples e tomar cuidado para sempre responder só o que a criança perguntou”, ressalta Adriana.

Cuidado com o preconceito

Se a criança questionar qualquer coisa em relação à homossexualidade, o ideal é não focar nas diferenças e falar do amor e do carinho em um relacionamento. “Os pais devem explicar que todos somos diferentes e que é preciso respeitar as diferenças. A melhor forma de tratar o assunto é dizer que são duas pessoas que se gostam, se respeitam e, por isso, decidiram estar juntas. A criança geralmente manifesta a curiosidade para saber o que é ou porque acontece, mas ela não pergunta se aquilo é certo ou errado. Nessa hora, os pais devem ter cautela para não responder de forma preconceituosa”, completa.

O especialista em educação sexual, Marcos Ribeiro, concorda. Ele explicou no programa "Encontros com Fátima Bernardes", que a dificuldade dos pais na verdade é falar sobre sexualidade, e não apenas sobre diversidade sexual.

"Alguns trazem a doença do preconceito. Na hora de abordar com os filhos ou alunos a questão da sexualidade ou da diversidade, a gente deve mostrar que não existe só o modelo papai e mamãe, mas outros modelos que devem ser respeitados (...) Ninguém pega homossexualidade. Não é uma gripe. A homossexualidade faz parte da orientação sexual de cada pessoa (...) O que é fundamental nessa conversa, eu acho, é dizer que diferença não significa desigualdade..."

A equipe do Encontro foi até uma escola do Rio de Janeiro e pediu a sete pais de crianças com idades entre 6 e 9 anos que assistissem ao vídeo de um pedido de casamento gay para ver como eles reagiriam. O vídeo tirado da internet mostra um homem que pede o parceiro em casamento no meio de um flash mob em um bar de Maringá, no Paraná. Depois foi a vez dos filhos assistirem ao mesmo vídeo. 

Tudo baseado no vídeo viral norte-americano, onde mostra reações de crianças diante flashs mobs de casamento gay.  Assista (legendado)




Na escola

A escola deve mostrar que existem diferenças entre todas as pessoas e que isso deve ser respeitado, assim como a escolha de cada um. Às vezes os pais são contra a homossexualidade e a criança acaba levando esse preconceito que “aprendeu” em casa para a sala de aula. Nesses casos, o papel da instituição de ensino pode ser determinante. “A escola deve chamar os responsáveis para conversar e tentar esclarecer as consequências que o estímulo ao preconceito pode gerar na vida da criança”, explica a psicóloga.


Confira mais links do programa "Encontros com Fátima Bernardes" que abordam a educação sexual com as crianças:
1) Casal homossexual que adotou um bebê fala dos desafios diários que tem que enfrentar 
2) Ana Karolina Lannes fala da relação homossexual do tio Fábio Lope

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