Aproximadamente 35 anos se passaram desde que uma doença misteriosa e anônima começou a chamar a atenção dos médicos nos EUA. Era crescente o número de pacientes, sobretudo homossexuais assumidos de São Francisco, cidade californiana onde os gays mais descolados queriam estar e viver, se apresentavam em hospitais com manchas escuras pelo corpo, sem noção do que estava acontecendo.

O sarcoma de Kaposi, lesões de cor arroxeada, talvez tenha sido o responsável pelo primeiro nome daquela terrível doença: "Câncer Gay". Na verdade, um apelido infame que trouxe consigo uma carga de estigma que perdura até hoje. Poucos anos e muitas mortes aceleradas depois, a doença se tornou mundialmente conhecida como AIDS.

O documentário do vídeo abaixo, "We were here" (Estávamos aqui: testemunhas da AIDS), é uma espécie de diário escrito a várias mãos no qual as primeiras páginas narram e exibem fotografias dos anos dourados da Rua Castro, em São Francisco. Ali, onde os gays se entrosavam e se abriam para o sexo livre e descompromissado, imperava o individualismo. 

As lésbicas, até então amigas ocultas e até desprezadas naquele universo predominantemente masculino, tiveram um papel fundamental no 'gay american lifestyle' de algumas décadas atrás. Elas trouxeram conforto e mostraram o significado de afeição aos "garotos", quando se uniram numa campanha de doação de sangue e para cuidar dos infectados numa época em que o governo dos EUA tentava criar leis para isolar os doentes, tamanho era o pânico que quase desestruturou o País e o mundo.

Passados os desastrosos anos da doença e com a chegada dos antirretrovirais, que trouxeram esperança e vida aos remanescentes e menos desespero aos novos infectados, as testemunhas de "We were here" nos contam como viveram os anos mais difíceis da epidemia e como se sentem hoje, após perderem tantos amigos para a AIDS. Apesar de transmitirem doçura e lucidez, percebe-se que são sobreviventes de uma guerra, com as dores e traumas que ela pode gerar.
    

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