Campanha publicitária Khelf, Marrocos. Verão 2011.
Marrocos, país muçulmano situado no extremo norte da África, foi tema de novela brasileira (O Clone - 2001) na qual Gloria Perez, a autora, pretendeu diminuir o preconceito gerado pelo desconhecimento da cultura local, muito centrada na religião islâmica.

Não há personagens homossexuais em O Clone. Na ocasião em que foi escrita, gays em novelas eram sublimados e homossexualidade ainda era "problema" seu. Mas principalmente porque não fazia sentido, como ainda não faz, associar homossexualidade à cultura marroquina, pois lá é crime. A pena varia de 6 meses a 3 anos de prisão (artigo 489 do Código Penal).

Homens e religião

Dois homens marroquinos, por mais másculos que sejam, se beijam carinhosamente no rosto, se pegam, andam de mãos dadas ou dedos entrelaçados pelas ruas como se vivessem em São Francisco (Califórnia -EUA). Isso acontece por causa  do alcorão que apregoa a separação dos sexos.

Via blog "Gente do Mundo"
Segundo os códigos do livro sagrado dos muçulmanos, mulheres devem obedecer aos maridos, assim, acabam desempenhando papel secundário na sociedade. Eles quase não permitem que elas saiam desacompanhadas às ruas e, ao saírem, devem cobrir os rostos. Em Marrocos, o mundo é dos homens, a sociedade dispensa a presença feminina em escritórios, praças e até em algumas mesquitas. Eles convivem entre si quase uma vida inteira.

Mulheres com túnica e capuz entram na mesquita Hassan II, em Casablanca
 (Foto: Giovanna Dell'Orto/AP)
Turistas mulheres

A repórter Giovanna Dell'Orto, da agência de notícias americana Associated Press, em janeiro e junho de 2013, passou mais de três semanas explorando o Marrocos, desde suas cidades imperiais até os oásis no deserto, e viveu essa experiência. Na maior parte do tempo, ela ficava sozinha e ensina que aprender a dizer "La, shukran" (Não, obrigada) é uma das primeiras lições.

Foto: Divulgação/AFP
Ela recomenda não usar os chamados "grandes táxis" (veículos compartilhados que fazem trajetos entre cidades e vilarejos), não andar nas medinas (cidades velhas) após o fechamento das lojas, não entrar em cafés onde haja apenas a presença do sexo masculino e não consumir bebida alcoólica em público. Também evitou encarar os homens, para evitar problemas. Muitos marroquinos olham e "secam" as mulheres, conta a jornalista.

Turistas gays

No tocante à homossexualidade, o país também oferece muitos riscos. Mesmo turistas, assumir que gosta de pessoas do mesmo sexo pode se tornar um caso de polícia. 

Para quem pretende viajar para Marrocos pensando em homens, é melhor redobrar a atenção, pois só rola pegação em lugares impensáveis como banheiros de McDonald's, no centro de Marrakech.

Marrakech é a cidade mais cosmopolita de Marrocos, mais ainda do que Casablanca ou a capital, Rabat. O melhor é curtir a arquitetura dessas cidades. Vale a pena conhecer o Majorelle, de 1920, construído pelo pintor francês Jacques Majorelle, que abriga o Museu de Arte Islâmica, onde o estilista francês Yves Saint Laurent mantinha uma mansão no fundo do jardim.

Brahim, modelo marroquino. Imagem ilustrativa (via Flixya)
Gays nativos

Em geral, os gays assumidos nativos acabam estabelecendo residência na França ou Espanha.

Em 2012, o jornalista Mokhtar Laghzioui, do jornal ''Al Ahdath Al Maghribiya'' chegou a ser ameaçado de morte por um imame (líder religioso islâmico) da cidade oriental de Uxda por ter se manifestado a favor da liberdade sexual em um debate público, inclusive ao falar de sua mãe, filha e irmã.

O imame Abdellah Nhari, conhecido por suas posições ultraconservadoras, respondeu em um vídeo disponível no YouTube que essas opiniões significavam uma promoção do adultério e que estava ciente de que o profeta Maomé tinha a seguinte opinião sobre o assunto: ''Matem os que não sentem ciúmes'', segundo suas palavras.

Leia também: "Primeiro a se declarar gay no Marrocos grava primeiro filme gay árabe"

Ruína romana de Chellah, periferia da capital Rabat, Marrocos
(Foto Giovanna Dell'Orto-AP)
Direitos humanos

A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), numa conferência sobre o estado geral das liberdades no Marrocos, solicitou a revogação do artigo 490 do Código Penal, que pune com penas de 1 a 12 meses de prisão os que tiverem relação sexual extraconjugal (adultério).

Esse pedido fez com que chovessem críticas contra a AMDH, tida como uma organização que trabalha por temas alheios às preocupações dos marroquinos de fé, que tenta impor agendas estrangeiras e que mina os valores da identidade marroquina por citar os argumentos mais utilizados em diferentes artigos de imprensa.

Khadija Riadi, presidente da AMDH, afirmou à Agência Efe admitiu que a liberdade sexual não está no coração das preocupações do marroquino, mas acrescentou que ''os direitos e liberdades são indivisíveis, e não cabe falar de liberdade de expressão se excluímos o direito ao uso do próprio corpo''.

Leis

Em maio deste ano, dois homens marroquinos, um estudante de pós-graduação de engenharia de 28 anos e um desempregado de 20, foram processados e condenados a quatro meses de prisão por homossexualidade. Ambos foram detidos dentro do carro de um deles, que se encontrava estacionado em um jardim público de Temara.

Os três advogados dos dois jovens evitaram o tempo todo defender o direito à homossexualidade e centraram sua defesa em assegurar que seus clientes não eram gays. Um dos advogados ressaltou que não defenderia seus clientes se tivesse consciência que eram homossexuais; outro destacou que a falta de testemunhas anulava o delito de "atentado contra a moral"; e o terceiro minimizou a dureza da pena de prisão ao considerar que os jovens já foram condenados pela sociedade e suas famílias.

Aquele foi o segundo processo no mesmo mês contra homossexuais; no anterior, dois homens foram condenados à pena máxima, três anos de prisão cada um e uma multa de mil dirhams (pouco mais de R$ 200), também pelo "crime" de homossexualidade.

Leia também: "Sexo proibido. Como vivem os gays no Paquistão"

5 comentários:

  1. País perfeito para a homofobia de forma geral morar...rs

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  2. Aqui na Itália tem muitos marroquinos, creio que são detestados pela Europa inteira, muitos são ladroes, tarados, só querem se dar bem, aqui eles tem um trabalho melhor, ganham em Euro (€), compram carro e se acham os donos do mundo, não são humildes, mas a maioria tem uma NECA BABADEIRA, uma delicia e super limpas rsrsrsrsrsrsrsrsrs.

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  3. Infelizmente ainda tem muitos turistas gays que vao arriscar suas vidas nesses paises de merda da Africa e da Asia. Tomem juizo, galera. Visitem a Escandinavia, Inglaterra, Holanda, enfim lugares seguros.

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