O matemático Alan Turing, que ajudou a Grã-Bretanha a vencer a Segunda Guerra Mundial ao decifrar o código "Enigma" usado pelos nazistas, recebeu perdão real da condenação por homossexualidade que levou ao seu suicídio em 1954.

Há quem diga que Alan foi o pai da computação moderna. Depois de, aos 24 anos, ter se consagrado com a concepção das bases teóricas de uma máquina que fazia operações lógico-matemáticas, em 1943 o britânico liderou o projeto Colossus, um computador inglês utilizado na Segunda Guerra Mundial que utilizava símbolos perfurados em fitas de papel processados a uma velocidade de 25 mil caracteres por segundo.

O aparelho eletromecânico de Turing conseguiu decifrar o código usado pelos submarinos alemães "U-boat" que operavam no Atlântico. Seu trabalho em Bletchley Park, centro britânico de descodificação de códigos durante a guerra, foi considerado como um fator essencial para encurtar a duração da guerra.

Apesar deste resultado fabuloso e de ter alcançado reconhecimento público, no início dos anos 1950, o matemático foi perseguido pela homossexualidade. Afastado do trabalho, ele ainda foi castrado quimicamente com injeções à base de estrogênio, hormônio feminino, após condenado por atentado ao pudor em 1952 pela prática de sexo com um homem. O sexo homossexual era considerado ilegal na Inglaterra até 1967. 

Os tratamentos tiveram o efeito secundário humilhante de lhe fazer crescer os seios. Dois anos após a sentença, em 8 de Junho de 1954, um empregado encontrou Turing morto em sua casa localizada em Wilmslow, condado de Cheshire.

Quase 60 anos após o suicídio, Turing foi perdoado postumamente pela rainha de Inglaterra e sua condenação foi retirada.

O ministro britânico da Justiça Chris Grayling afirmou que o perdão da rainha Elizabeth II terá efeito imediato e é o tributo a um "homem excepcional com uma mente brilhante".

Fonte: Ionline

Um comentário:

  1. Eu sempre fico put@ com esses perdões atrasados da Rainha ou da igreja católica. Que infortúnio. Eles destroem a vida do fulano e depois que o miserável morreu eles tem a cara de pau de perdoar o morto. Fazem uma bela nota formal ou transformam o injustiçado em santo. Porque o perdão por algo que nunca deveria ter sido punido vai melhorar alguma coisa, claro. Isso só denota a injustiça e falta de preparo para lidar com as minorias. Só espero que os governantes e suas autoridades com suas leis arrogantes aprendam a lição e que logo o perdão póstumo não seja mais necessário, que logo ninguém morra por ser como é.
    Descanse em paz, Alan, e que aqueles que te puniram melhorem ou então jamais tenham paz.

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