Resenha de matéria escrita por Cláudia Collucci
Folha de São Paulo



[Postagem de março de 2017, aponta a Dinamarca como o primeiro país do mundo a retirar as pessoas transexuais da classificação de doentes mentais.]

Segundo publicação do site Folha de São Paulo, o atual manual de orientação destinado a médicos psiquiátricos considera 'transexualismo' (que passou a se chamar 'incongruência de gênero') um transtorno. Ou seja, doença mental.

Entretanto, segundo a matéria, isso deve mudar na nova versão da lista de doenças que orienta a saúde em todo o mundo, a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças), editada pela Organização Mundial da Saúde.

Vários comportamentos hoje considerados transtornos, como o sadomasoquismo e o travestismo fetichista, serão varridos da CID. Outros, como o 'transexualismo', mudarão de categoria.

Os transexuais ganharão novo capítulo, longe das doenças, que deve reunir outras "condições relativas à sexualidade", a ser ainda definido.

A ordem é "despatologizar" o sexo. "Comportamentos sexuais que são inteiramente privados ou consensuais e que não resultem em danos às outras pessoas não devem ser considerados uma condição de saúde. Não há razão para isso", disse à Folha Geoffrey Reed, diretor de saúde mental da OMS. No Brasil, a coordenação dos trabalhos é da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Polêmica

A questão agora é se, ao perderem a classificação de doenças, esses comportamentos deixarão de ser cobertos pelos sistemas de saúde. No Brasil, por exemplo, os transgêneros têm direito a cirurgias de mudança de sexo e outras terapias no SUS.

"Estamos analisando o impacto nas leis da mudança de diagnóstico como um todo para evitar qualquer eventual prejuízo ao acesso aos serviços de saúde", afirma a psiquiatra Denise Vieira, uma das coordenadoras brasileiras da revisão da CID na área de saúde sexual.

Para a cirurgia de redesignação de sexo no SUS, a pessoa precisa ser avaliada dois anos antes por uma equipe contendo psiquiatra, cirurgião, psicólogo, endocrinologista e assistente social. Segundo os médicos, se feita em pacientes sem o diagnóstico de 'transexualismo', pode resultar em distúrbios psíquicos graves e até levar ao suicídio.


O webdesigner Leonardo Tenorio [foto], 23, nasceu mulher, mas desde a adolescência se sente homem. Com o uso de hormônio masculino, ganhou barba e esconde os seios sob uma faixa apertada. Agora, ele briga com o plano de saúde pelo direito de fazer uma mastectomia.
"Por que nós, trans, precisamos de um diagnóstico? Por que precisa de um médico para dizer que a pessoa é o que ela é? Nosso direito de autonomia é totalmente ceifado com essa atual patologização", diz Tenorio, presidente da Associação Brasileira de Homens Trans.


A advogada e empresária Márcia Rocha [foto], 47, é transexual. Usa próteses de silicone, tem pênis e se autodefine bissexual. Foi casada duas vezes com mulheres e tem uma filha de 18 anos. "A burocracia só ocorre no SUS. Quem tem dinheiro consegue colocar ou tirar o que quiser", afirma ela, integrante da comissão de direitos da diversidade sexual e combate à homofobia da OAB/SP, citando os próprios seios como exemplo.

Como ficam os transexuais que não podem pagar o tratamento e a cirurgia? Será uma questão de rótulo, ou seja, se der o nome "x" o SUS cobrirá os gastos, mas se tiver aquele outro nome, não. 



Um comentário:

  1. Acho sim que só deve ser coberto pelo SUS aquilo que está no âmbito de sua legislação, quem não é ou não tá doente não procura tratamento de saúde

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