Natália Paganini e Heliana Queiroz decidiram adotar uma criança e entraram na fila de adoção. Elas não impuseram nenhuma restrição quanto ao perfil da criança. Poucos meses após, receberem o chamado para buscar a pequena Júlia em um abrigo de Belo Horizonte, em janeiro deste ano.

"Foi tudo muito rápido. Nem acreditamos. Ela saiu com a roupinha do corpo e descalça, rindo à toa", recorda-se a empresária Heliana sobre a filha, que completa 2 anos na próxima quarta-feira.

Desde o primeiro contato, elas foram informadas pela Vara da Infância que Júlia tinha um quadro de microcefalia. Embora poucas pessoas saibam, de fato, do que se trata a malformação cerebral, as duas aceitaram o desafio sem pestanejar.

"Reagimos com muita tranquilidade. Como não colocamos restrições, já esperávamos uma criança especial", conta Heliana.

Atualmente, a rotina de Júlia é cercada de terapias: hidroterapia, fisioterapia, fonoaudiologia e musicoterapia. Juntas, essas atividades tomam entre duas e três horas diárias da menina, que enxerga tudo como brincadeira, segundo as mães. No ano que vem, ela começará a terapia ocupacional.

"No resto do tempo, o cotidiano dela é como o de qualquer outra criança. Brincamos, vamos ao parque, dançamos. E ela irá para a creche no mês que vem", comenta Heliana.

Com toda essa assistência, o desenvolvimento da filha vem surpreendendo a todos na família.

"Com 13 meses, ela nem engatinhava, mas hoje já corre pela casa", comemora Heliana. "A dificuldade maior está na área da linguagem. Só agora ela está tentando as primeiras palavras".

Por ora, um dos maiores desafios tem sido arcar com os custos por trás de todo esse cuidado. Natália, que é funcionária pública, conta que o plano de saúde de Júlia tem uma cobertura restrita e limita o número de sessões por terapia. "Terapias mais especializadas, como hidroterapia e musicoterapia, são todas particulares e pesam no orçamento. O atendimento da fonoaudióloga também é por nossa conta", diz.

Heliana e Natália conseguiram ainda complementar os tratamentos no sistema público. Júlia faz fisioterapia uma vez por semana no Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora e visita o Rio de Janeiro mensalmente para receber atendimento no Centro Internacional Sarah de Neurorreabilitação e Neurociências, onde a garota é acompanhada por neuropediatra, psicólogo, enfermeiros e fisioterapeutas.

O futuro de Júlia é promissor, conta Natália, empolgada com os avanços da filha.

"Os médicos dizem que só o tempo vai dizer o que ela poderá fazer ou não, mas, sem dúvida, há boas chances de ela se dar bem na escola e, no seu tempo, ter uma vida bem próxima à de outras pessoas sem necessidades especiais", diz. "A cada dia é uma nova conquista. Para algumas mães e pais, as conquistas dos filhos são vistas com mais naturalidade. Para nós, tudo é motivo de comemoração."

Via O Globo


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