O vídeo abaixo é uma paródia que pretende mostrar o que acontece quando os gays encontram outros gays sem heterossexuais por perto. De lado os exageros de toda comédia, fica claro que é uma estória rica de sinalização e de outras formas de comunicação não verbal entre homens gays.

Imagem: Aperture
Os atores comediantes Brian Jordan Alvarez, Stephen Guarino e Mitch SILPA casualmente se encontram no vão das escadas do prédio de apartamentos onde supostamente moram.

Não só o gaydar é apurado como o ambiente é propício, já que totalmente desprovido de heterossexualidade. Assim, eles lançam as primeira pistas.


A tensão implícita da cena decorre da ideia de que esses homens somente se sentem livres ou seguros quando libertam os seus "eus" na companhia de outros como eles. Maneirismos femininos podem ser aceitos dentro dos limites das escadas, mas lábios franzidos, quadris e dedos alongados podem comprometer a segurança deles no mundo exterior.



"De modo geral, qualquer atividade que possa ser interpretada como "performática" pode ser algo arriscado", escreve David M. Halperin em seu livro How To Be Gay (Como ser gay, em tradução livre). Isso porque masculinidade é a única "identidade natural e autêntica" em uma sociedade patriarcal. Expressar a feminilidade está num grau acima do que é 'permitido'. A "performance" feminina pode ser perigosa para homens, independentemente da sexualidade, assim como não ser suficientemente feminina pode ser perigoso para as mulheres.


[Na verdade, a "performance" feminina da mulher pode também ser usada contra ela, haja vista as perguntas automáticas que são lançadas às vítimas de estupro, como por exemplo: "O que ela estava vestindo?" - Então, o mundo é um lugar hostil para mulheres ou qualquer um que invoca a feminilidade]

A necessidade de navegar com a identidade em diferentes situações sociais, misturada com o desejo de reconhecimento, leva homens gays (e mulheres, obviamente, mas este artigo foca no lado masculino desse fenômeno) a desenvolver métodos sutis, muitas vezes sem palavras, de comunicação com seus pares.


Alguns desses sistemas têm sido historicamente utilizados para transmitir os desejos sexuais, como o código de lenço - pico de uso nos anos 1970 e 80. Os homens gays que praticavam essa forma de comunicação usavam lenços de cores diferentes nos bolsos traseiros das calças: lado esquerdo para parceiros sexuais ativos e lado direito para parceiros sexuais passivos - ou dominantes e submissos.

Os homens gays historicamente usam roupas para sinalizar identidades fora dos contextos sexuais. No livro Gay New York, George Chauncey cita as gravatas vermelhas como um dos principais símbolos gays da década de 1890. Na década de 1930 houve "praticamente um monopólio homossexual" de sapatos de camurça nos tons marrons e cinza escuro.

Penteados e gírias também são usados com efeito semelhante. E os trejeitos físicos também.

Então, por que homens gays continuam criando e cultivando esses sistemas de comunicação um com os outros -  em sua maioria não verbal?

Isso pode ter a ver com o fato de que homossexualidade não vem com traços físicos herdados ou outros identificadores visíveis no corpo; somos forçados a criar o nosso próprio. Esses sinais nos permitem reconhecer um ao outro na multidão cheia de heterossexuais. Por outro lado, permitem que a multidão nos reconheça e nos enxergue, no sentido pleno da palavra.

Uma recente postagem do The Huffington Post demonstra a curiosidade e interesse de gays que nunca tinham ouvido falar do código de lenço. Eles querem saber mais sobre os significados das cores e suas preferências. Assim, o site disponibilizou o gráfico abaixo para facilitar o entendimento.


Vai ser tendência?


5 comentários:

  1. Esses códigos não verbais são muito bons... Na minha época de início de juventude, tinha uma coisa de anel no dedo polegar... Uma tia minha na infância contou (no início dos anos 90) que descolar o rótulo da garrafa de cerveja em um bar e colar no copo em que se bebia era uma forma de sinalizar também... Esse último, eu não sei se era lenda ou verdade...

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    1. ,
      Estes Códigos do LENÇOS pode ser visto no filme com AL PATINO, que faz um policial em PARCEIROS DA NOITE.
      ,

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  2. Realmente essa linguagem dos lenços e interessante. Fiquei me perguntando se ainda se faz necessário num universo onde as redes acabam facilitando as trocas privadas, mas acho que sim. Lembrei que quando adolescente eu tinha um linguagem de roupas com um affair: quando ele passava sem camisa e porque eu poderia seguir ele , se tivesse com e porque naquele dia não ia rolar. Bapho. Beijao kiridao, minha pagina ta denovo movimentando aguardo sua visita.

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    1. Interessante a história com seu affair, Agusto.

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  3. Esse eu também não conhecia, Cara Comum. ;)

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