Encomendado pelo Instituto Avon ao Data Popular, uma pesquisa inédita divulgada nesta quinta-feira (03), revela que quase 70% das universitárias sofreram algum tipo de violência em espaços acadêmicos.

Total de universitários entrevistados: 1823

Sexo: feminino (60%) e masculino (40%)

Mais da metade dos entrevistados (51%) têm entre 16 e 25 anos, 53% são da classe média e 76% estudam em faculdades particulares.


Dados

Mulheres

- 10% afirmaram espontaneamente ter sofrido algum tipo de violência no ambiente acadêmico.  No entanto, quando foram questionadas se sofreram itens de uma lista de violências, o número saltou para 67%.

- 28% das entrevistadas disseram ter o corpo tocado sem consentimento, ter sofrido tentativa de abuso por estar sob efeito de álcool ou droga, ter sido forçada a beijar outro aluno ou coagida a ter relação sexual sem consentimento.

-  11% afirmaram que sofreram tentativa de abuso por estarem sob efeito de álcool.

-  56% das alunas confirmaram ter sofrido algum tipo de assédio sexual — cantadas ofensivas e comentários de natureza sexual de alunos ou professores.

[Uma entrevistada contou que um de seus professores lhe trazia presentinhos toda aula e começou a mandar mensagem pelo celular. "No dia da prova, ele sentou do meu lado e meu deu a prova mais fácil, fez de tudo pra eu entender que aquilo era um favor. Tipo... Que ele ia cobrar."]

- 52% das entrevistadas sofreram agressões morais ou psicológicas — ser humilhada ou ofendida por professores ou alunos, ter fotos ou vídeos repassados sem autorização ou ser colocada em "rankings" sexuais - ofensas foram relatadas por 28% das alunas, figurar em "rankins" por 24% e ter fotos ou vídeos vazados por 14% delas.

- 10% sofreram violência física nos ambientes acadêmicos.

[Num trote, veteranos me abordaram, me pediram para beijar um deles. Com a minha negativa, disseram que se eu não beijasse, deveria tirar meu sutiã e dar a eles. Neguei também, e começaram a me bater. Bater mesmo, com socos, e jogaram tinta no meu corpo inteiro, rasgaram meus cadernos e saíram. Ao mesmo tempo, outros veteranos abordaram uma colega, e queriam obrigá-la a tomar um copo de pinga. Como ela se negou, jogaram a bebida nos olhos dela. Isso tudo em frente à faculdade — relatou outra acadêmica durante a pesquisa.]

- 18% das alunas foram coagidas a tomar bebida alcoólica, drogadas sem consentimento ou participaram de atividades degradantes, como "desfiles" ou "leilões de mulheres". Entre as entrevistadas, 12% foram forçadas a ingerir álcool e 11% obrigadas a participar de ações degradantes, situações frequentes em trotes. 

- 42% das alunas sentem medo da violência nos ambientes universitários e 36%  já deixaram de fazer alguma atividade acadêmica por isso.

- 49% já foram desqualificadas intelectualmente no ambiente universitário por serem mulheres, com piadas ou sátiras de gênero.

- 63% não reagiram aos abusos sofridos, a maioria (61%), por medo de ser exposta.

- Das 37% que reagiram aos abusos sofridos, 1/3 sofreu represálias, como ser hostilizada, ficar isolada ou ser exposta na universidade.


Homens

-  2% admitiram de forma espontânea ter cometido algum ato de violência. Questionados a partir de uma lista de situações violentas, o número aumentou para 38%. Ou seja, dos 729 homens entrevistados, 277 admitiram ter pessoalmente praticado algum tipo de violência contra mulheres em espaços acadêmicos.

-  27% disseram não considerar violência contra a mulher tentar abusar dela se estiver alcoolizada.

- 35% não consideraram a coerção uma forma de violência - fazer a mulher tomar bebida alcoólica, drogá-la sem consentimento ou fazê-la participar de atividades degradantes, como "desfiles" ou "leilões de mulheres".


Comentários

Diferentemente da violência doméstica, em que a Lei Maria da Penha tipifica todos os casos, o grande problema da violência de gênero nas universidades é que ela não está clara nem para quem sofre como para quem comete, segundo a presidente do Conselho do Instituto Avon, Alessandra Ginante.


O presidente do Data Popular, Renato Meirelles, acrescenta que o levantamento mostrou que a desigualdade de gênero não está ligada com a desigualdade social. "Os muros da universidade não são impermeáveis ao machismo da sociedade brasileira. A violência contra a mulher não está ligada à desigualdade social, não ocorre apenas em meios de menor escolaridade", explica.

A Animação da Brainwash Studios retrata a violência de gênero e suas consequências.  É o resultado do "machismo" refletido nos universitários da pesquisa. Assista ao vídeo.


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