O “The New York Times” noticiou, em matéria publicada no dia 05/07/2016, que o Brasil vive “uma epidemia de violência contra gays”.


O jornal destaca alguns crimes que ocorreram recentemente: a travesti morta com uma facada em Manaus; os professores carbonizados em um carro numa cidade do sertão baiano; e o mais recente, o apedrejamento até a morte do jovem Wellington Castro de Mendonça, 24 anos, em Nova Friburgo. Todos vítimas de crime de ódio.

“As vítimas não foram roubadas, a polícia ainda não conseguiu identificar quaisquer suspeitos e todos os mortos eram homossexuais ou transgêneros”, ressalta a matéria que também aponta que mais de 1,6 mil pessoas morreram no Brasil nos últimos quatro anos e meio por crimes motivados pelo ódio. 

Ao comparar a situação epidêmica do Brasil ao caso pontual da boate Pulse, em Orlando, o “NYT” lembra que o Brasil lidera o ranking mundial de mortes de gays, lésbicas, bissexuais e trans.

“Tais estatísticas são difíceis de entender”, completa o artigo, “visto que o Brasil sustenta uma imagem de sociedade tolerante e aberta”. A livre expressão sexual do carnaval e a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo – a maior do mundo -, também são citadas como exemplos contraditórios às estatísticas.

Imagem: Leo Correa/AP/Press Association Images
A longa reportagem traça um paralelo entre a força da religião e a presença da cultura machista no Brasil como empecilhos para políticas de combate à morte dos LGBTI.
“Alguns especialistas alegam que políticas de um governo liberal podem ter ido muito à frente das tradições sociais. A violência contra gays pode ser ligada à cultura de machismo e a uma marca de cristianismo evangélico, exportada pelos EUA, que faz oposição aberta à homossexualidade”.
A segurança da população na Olimpíada, a ser realizada na cidade do Rio daqui a um mês, também não passou incólume pela matéria do jornal americano: “No Rio, prestes a sediar a Olimpíada, há o medo da violência. Em meio a uma recessão e o crescimento do desemprego, crimes de rua cresceram 24% no último ano, enquanto os homicídios subiram 15%. Ao mesmo tempo, ativistas de Direitos Humanos acusam a polícia do Rio de assassinar a tiros mais de 100 pessoas este ano, a maioria deles jovens negros de comunidades, como forma de limpar a cidade antes da cerimônia de abertura, no dia 5 de agosto”.

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