Renato, 32 anos, profissional de RH, trabalhou 12 anos para uma grande rede de supermercados de onde começou como estagiário. Apesar do esforço e competência, viu a carreira estagnar.

Inconformado, partiu em busca de novas oportunidades no mercado de trabalho e se encontrou numa empresa de grande porte para a qual presta seus serviços atualmente. 

Durante a fase de seleção, numa das entrevistas com um diretor que hoje é seu chefe, Renato resolveu declarar abertamente sua sexualidade, inclusive narrando planos de casamento e adoção com o então namorado, João.


Na empresa anterior, ele passou os últimos cinco anos omitindo o namorado para a maioria dos colegas e chefes. Agora, casado com João, se sente livre, confiante e, mais importante, pode declarar o nome do companheiro como beneficiário do seguro de vida, do INSS e demais benefícios básicos extensivos a qualquer casal.

São dois mundos diferentes vividos por João. O segundo, claro, é o melhor deles.

LGBT é uma sigla até pequena para o tanto de mundos que estão nela inseridos: mundos de diversos tipos de gays, lésbicas, bissexuais e travestis (ou transgêneros).


Cada um sabe aonde o calo aperta. Cada indivíduo percebe se na empresa para qual trabalha há abertura para falar de relacionamento homoafetivo ou se há vantagens ao cônjuge ou ao casal.

Aquele mundo sinistro e sem sentido vivido por João, em seu primeiro emprego, pode se tornar exceção em pouco tempo se grandes empresas derem exemplo, criando mecanismos para que seus colaboradores tenham um ambiente corporativo respeitoso para com as diferenças de todo tipo. Esse futuro é viável e pode estar muito próximo.


A Braskem, por exemplo, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, se orgulha em divulgar que acaba de se tornar a primeira grande empresa de capital brasileiro a assinar a iniciativa “Fórum de Empresas e Direitos LGBT”, organização que reúne importantes companhias em torno dos 10 compromissos com o respeito e a promoção dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. São eles:
1. Comprometer-se, presidência e executivos, com o respeito e com a promoção dos direitos LGBT;2. Promover igualdade de oportunidades e tratamento justo às pessoas LGBT;3. Promover ambiente respeitoso, seguro e saudável para as pessoas LGBT;4. Sensibilizar e educar para o respeito aos direitos LGBT;5. Estimular e apoiar a criação de grupos de afinidade LGBT;6. Promover o respeito aos direitos LGBT na comunicação e marketing;7. Promover o respeito aos direitos LGBT no planejamento de produtos, serviços e atendimento aos clientes;8. Promover ações de desenvolvimento profissional de pessoas do segmento LGBT;9. Promover o desenvolvimento econômico e social das pessoas LGBT na cadeia de valor;10. Promover e apoiar ações em prol dos direitos LGBT na comunidade.

Segundo e própria Braskem, ela entende a valorização e o respeito à diversidade como um tema de total importância e confirma a sua responsabilidade em atuar proativamente na questão. Assim se pronuncia o vice-presidente de Pessoas, Comunicação, Marketing e Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Marcelo Arantes:
“No momento em que você fomenta relações colaborativas e livres de discriminação, gera um ambiente de trabalho em que as pessoas podem ser elas mesmas, contribuindo para o seu engajamento e satisfação.”
Desde 2015, como parte do seu comprometimento com a promoção e proteção dos direitos humanos nos seus negócios, a companhia deu início ao Programa Mulheres na Braskem, primeira frente do Programa de Diversidade, cujo foco é a promoção da equidade de gênero e do empoderamento da mulher.

Criado em 2013, o Fórum representa um pacto público de trabalho para fortalecer e criar ações ligadas à promoção dos direitos LGBT. “Ao aderir a esses princípios, a Braskem reafirma seu compromisso na promoção de um ambiente empresarial inclusivo e reforça sua crença de que todos somos potenciais agentes de transformação da sociedade”, afirma Fernando Musa, presidente da Braskem.

Você sabia que o Brasil ratificou em 1965 uma das Convenções mais importantes sobre a discriminação no ambiente do trabalho? Essas e outras curiosidades você pode acompanhar no vídeo institucional do Fórum.

Parabéns, legal. Mas eu adoraria compreender esse Fórum na prática. Como faz?


2 comentários:

  1. Belo texto, realmente estamos evoluindo muito nisso... em julho a Bussines Week publicou uma materia interessante falando como eram inocuas as medidas destas empresas porque o RH, a contratação , ainda sofria de falhas estruturais...
    O que eu mais destaco é a historia do João, podermos oficializar nossas uniões muda tudo! casei recentemente e posso dizer isso com certeza e experiencia! abs, grande texto!

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    Respostas
    1. Obrigado pelo seu depoimento. É interessante o posicionamento da matéria da Businessweek. De fato, vemos isso acontecer na prática. Dirigentes empresariais dizem uma coisa e na prática vemos outra. Se não houver preparo de todos os colaboradores de uma empresa, principalmente aqueles responsáveis pela gestão de recursos humanos, tudo se esvai. Vale para restaurantes, bares, empresas, etc.

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