Foto: Meio Norte
Jovem homossexual é amarrado em um poste e espancado por moradores porque alguém gritou que ele é estuprador de menores.

Em Curicica, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro aonde fica o Projac, um homem foi vitimado triplamente por diferentes pessoas. 

O rapaz  andava em direção de sua casa, após sair de uma balada, quando foi abordado por alguns homens que o levaram a um terreno baldio. Lá, o espancaram. Ele conseguiu fugir. Os bandidos correram atrás e gritaram para "pegar" porque era estuprador de uma menor de idade. 

Começou o terceiro crime. O caos se instalou de vez para piorar o desespero do pobre homem.

Moradores amarraram o rapaz num poste e o atacaram até ele não aguentar mais. O jovem está internado em um hospital e ainda não foi divulgado boletim médico.

Como se não bastassem os crimes de lesão corporal (art. 129 CP) e calúnia (art. 138 CP) cometidos pelos bandidos que o abordaram, a vítima sofreu o terceiro crime de exercício arbitrário das próprias razões (popularmente conhecido por justiça com as próprias mãos, art. 135 CP) quando foi espancado pelos moradores.

Esse exemplo se encaixa na assertiva de que não se deve fazer justiça com as próprias mãos. A população devia imobilizar o suspeito até a polícia chegar.

Em 2012, André Baliera foi vítima de espancamento de dois homens que o abordaram na rua. Em 2015, Cada um foi condenado pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, a pagar multa de R$ 21.250 ao estado de São Paulo. A decisão foi com base na lei paulista nº 10.948/01, que pune “toda manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra cidadão homossexual, bissexual ou transgênero". Mas a multa foi revertida em políticas públicas, segundo a secretaria.  
Essa atrocidade começou por um ódio covarde que pode atingir qualquer homossexual com traços afeminados que se torne presa fácil. O jovem quase morreu provavelmente porque é uma pessoa feliz.

Vamos torcer pela sua recuperação plena e por uma investigação policial decente.
Não se deve enaltecer mais o sofrimento da vítima do que o ato criminoso e covarde de seus algozes. A vítima não quer dó, quer justiça.
Contamos dois crimes até aqui, mas pode haver mais de acordo com a investigação policial: formação de quadrilha (art 288 CP) e tentativa de homicídio (arts. 121+14+70 CP) - nesse caso, sai o crime lesão corporal. 

Se o Código Penal tipificasse a homofobia, seria mais um. Mas o fato de não caracterizar crime não desfaz a crença das pessoas (de bem) de que violência motivada por ódio aos gays seja um ato selvagem, covarde e criminoso.

A Jacarepagué Online divulgou essa notícia ontem e hoje. Inicialmente, a página publicou a primeira versão com um vídeo (já excluído) no qual exibe o rapaz amarrado e apanhando dos moradores sob suspeita de ser um estuprador. Hoje, através de "comunicado" (poderia ser errata, fica a dica), a página declarou o provável equívoco, conforme explicaram desesperadamente os amigos da vítima.

O título dessa postagem é uma análise dos comentários da publicação. As pessoas se comovem com a vítima, mas quase ninguém cita o ato psicopata dos agressores - quando gritaram "estuprador" - para que ela apanhasse mais. Isso é mais cruel do que a surra. 



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