Casal comemora decisão da Suprema Corte que aprovou lei em 2015 que permite casamento LGBT nos EUA. FOTO AP.
A fé cristã dá o direito a seus praticantes de ignorar a lei ou atacar as pessoas pelo que elas são?

Uma florista cristã foi condenada a pagar uma multa ao Estado, por se recusar a fornecer flores para a cerimônia de casamento de dois homens.

Em outro estabelecimento e para outro casal gay, um confeiteiro se recusou a fazer o bolo de núpcias porque, segundo ele, sua religião não aprova essas pessoas. 

Um fotógrafo se recusou a registrar a cerimônia nupcial de um terceiro casal gay.

Essas pessoas hoje travam uma briga judicial para resolver uma questão que envolve obediência à lei versus liberdade de expressão religiosa. O que deve prevalecer?

As três ações judiciais acima foram reunidas para que a Suprema Corte dos EUA tome uma uma decisão única. As organizações cristãs americanas, como a Alliance Defending Freedom, a Family Research Council e outras, literalmente compraram a briga. Se uniram aos prestadores de serviços cristãos para pagar a conta da pendenga judicial até reverter a decisão a seu favor - se conseguirem.

Do outro lado, estão os consumidores LGBT que foram impedidos de comprar os serviços oferecidos ao mercado pelos cristãos. Eles também têm apoio de organizações que defendem direitos LGBT e recebem doações de todas as partes para resistir ao ataque cristão.

Barronelle Stutzman reage a seus apoiadores após condenada por recusar, em 2013, a fornecer flores de sua loja a casamento gay. AP PHOTO/ELAINE THOMPSON
Pelo menos uma das ações, antes de serem reunidas, teve uma das batalhas vencida pela comunidade LGBT.

A empresária Barronelle Stutzman, de 70 anos, que se recusou a fornecer flores ao casamento de Curt Freed e Robert Ingersoll (foto abaixo), foi condenada pelo Tribunal de Washington a pagar a multa - considerada simbólica aos padrões norte-americanos - de US$ 2 mil (R$6.200,00). A intenção do tribunal era por uma pá de cal em cima da encrenca.

A florista negou alegando que "sua liberdade não está à venda". As organizações cristãs a apoiaram argumentando que a questão vai muito além do pagamento de uma multa.

Para o tribunal superior de Washington, que decidiu a favor do casal, a lei que proíbe discriminação em lugares públicos e privados com base em orientação sexual, foi violada e a condenação ao pagamento de multa não viola os direitos constitucionais das empresas cristãs.

O casal Curt Freed e Robert Ingersoll que teve pedido de compra de flores negado pela empresária, ganha ação no Tribunal do Estado (Washington) - AP FOTO 
Os ânimos se exaltaram nas duas partes. Cristãos afirmam que as leis estaduais contra discriminação “esmagam” as liberdades religiosas. Sustentam que a liberdade de expressão e a liberdade de religião, ambas consagradas na Primeira Emenda da Constituição do país, garantem o direito de as empresas não atenderem pedidos que consideram “imorais”.

Os defensores dos direitos LGBT rebatem que liberdade de religião é fundamental, porém a fé cristã não dá o direito a seus praticantes de ignorar a lei ou atacar pessoas pelo que elas são.
“Quando as pessoas experimentam atos de discriminação, elas sentem que não são membros integrais e iguais da sociedade”, disse aos jornais Washington Post, Chicago Tribune e outras publicações a advogada da ACLU Elizabeth Gill.
Caberá à Suprema Corte agora decidir aquela que será uma batalha judicial épica, com centenas de defensores de cada lado. A complicação é julgar se há conflito entre as leis estaduais e o dispositivo constitucional. E se houver, decidir qual pesa mais.

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