O casal Thamires e Lohan - Foto: arquivo pessoal 
Essa é a história de um homem trans e sua noiva que sonham com uma igreja que os acolha e com um padre que os abençoe no dia mais importante na vida de um casal que quer casar. 

Lohan Theodoro da Silva, 24 anos (à direita na foto acima), começou a namorar Thamires da Silva Marques, de 18, há dez meses. 

Na ocasião, ele saía de um relacionamento com outra mulher e Thamires, então uma conhecida de baladas, foi consolá-lo. 

Ambos se apaixonaram, o amor cresceu e Lohan conheceu o grande sonho de Thamires: casar. "Mas não é só casar", esclarece ela. "Tem que chegar de limousine na igreja, vestida de noiva com véu, grinalda e buquê para ser jogado no final".

Lohan panejou os detalhes e, com a certeza dos amantes, partiu em busca de realizar o sonho de sua amada.

O primeiro passo foi encontrar uma igreja que aceitasse celebrar o casamento de um homem trans com sua mulher. Após as negativas de três padres de diferentes paróquias em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Lohan percebeu que não seria fácil.

Uma vizinha soube da história e sugeriu que os dois procurassem a Igreja Ortodoxa. "Chegamos lá e o padre nos deu alguma esperança, mas não a certeza", disse Lohan. "Foi um alívio na hora", contou Thamires.

Mas o padre voltou atrás no dia seguinte. Explicou que a igreja não pode autorizar o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Um estímulo do Identidade G ao casal
"Somos como qualquer outro casal. Não nos consideramos pessoas diferentes das outras, avalia Lohan. "Mas esse é o Brasil que vivemos onde a religião não preza o amor entre as pessoas", desabafou para o Identidade G.
Ambos sabem da dificuldade para realizar esse sonho, mas afirmam que não vão desistir. "Jamais!", promete Lohan. "Se não for numa igreja encontraremos um templo, algum lugar, que celebre a nossa união. E vai acontecer até maio do ano que vem, quando completaremos dois anos juntos". 

No Brasil, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é permitido, mas o religioso depende do segmento da religião. A católica alega que celebra somente casamentos entre homem e mulher por uma questão de doutrina teológica.

Para financiar o casório, o casal seguiu conselho de alguns amigos e criou uma conta no site "Vakinha". "Esperamos conseguir sensibilizar as pessoas com a nossa história e arrecadar o suficiente". O orçamento previsto varia de R$ 7 mil a R$ 10 mil, calculou Lohan que trabalha no gerenciamento de supermercado.

Thamires, atualmente desempregada, tem um irmão transexual. Apesar disso, admite que não apoiou a transexualidade do namorado no início. "Eu tinha medo, porque se eu quisesse um homem, estaria com um homem. Mas depois que passamos pelo psicólogo, eu compreendi, apoiei e agora quero muito que ele se transforme".


Lohan conta que também tem um sonho, o de fazer a cirurgia de retirada dos seios. "A ideia inicial da vaquinha era para a cirurgia, mas aí surgiu essa história e resolvemos reverter a campanha para o nosso casamento", explicou.
"Se não for na igreja, vamos tentar de outro jeito. O importante é ser um casamento lindo, pois merecemos. Eu vou realizar o sonho da minha noiva nem que seja no Japão."
Se servir de consolo, Lohan, na Noruega, um pouco mais perto que o Japão, tem a primeira igreja do mundo que recentemente permitiu casamento religioso para pessoas do mesmo sexo. Clique no link para ler mais.

Toda sorte e felicidade aos noivos.

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