A diversidade de gênero não é ainda um assunto bem trabalhado no esporte do mundo inteiro.
Tiffany Abreu, 32, passou por times masculinos mesmo após cirurgia - indecisão da Federação de Voleibol.
Clubes e federações desportivas muitas vezes não sabem o que fazer com os transexuais que acabam sendo excluídos também desse universo. 

Mas isso vem mudando desde o surgimento da atleta Tiffany Abreu, 32 anos, primeira transexual mulher, brasileira, a conseguir autorização da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) para jogar nos campeonatos femininos.

Outro fator que contribuiu foi a mudança das leis dos Países Baixos que, em 2014, passaram a permitir que pessoas trans modifiquem seus nomes nas respectivas certidões de nascimento. Isso tornou tudo mais fácil.


Em 2015, quando ocorreu a 'transexualização' de Tiffany, ela era contratada de um time masculino da Holanda e continuou jogando em competições masculinas. 

Na ocasião, o caso de Tiffany fez surgir debates calorosos no mundo do voleibol porque ninguém sabia dizer onde uma pessoa trans devia jogar, se no time dos homens ou das mulheres. Perguntas foram lançadas com o objetivo de gerar um norte para os próximos casos que ainda virão.
"É justo uma pessoa trans que nasceu homem jogar numa competição de mulheres e vice-versa? No vestiário feminino, uma mulher trans com genitais masculinos pode causar constrangimentos?" 
Tiffany passou um período jogando em times masculinos. Além da Holanda, passou por Portugal, Indonésia, Espanha, França e Bélgica.


Quando finalmente teve seus documentos resolvidos após a cirurgia de redesignação, quando representava o JTV Dero Zele-Berlare (Bélgica), foi aceita na FIVB para competir em campeonatos femininos. Estreou no domingo (19/02) no Golem Palmi contra o Delta Informatica Trentino.

- Foi muito tempo esperando. Depois que tudo deu certo, me transferi para a Itália para jogar na Liga 2. Foi muito difícil para mim. Eu estava muito nervosa. Sou muito tímida. Foi uma pressão grande sobre mim, as meninas precisavam de mim. A equipe é muito boa, mas precisa de uma pitada de energia. E foi minha energia que fez todo mundo jogar bem. O ginásio estava lotado, foi muito lindo. O público me abraçou, me fez me sentir em casa. As meninas me trataram como uma irmã. E foi muito bom para mim. Dei meu melhor, vencemos por 3 a 1 e depois pude dormir tranquila - afirmou ao Globo Esporte.
Ao deixar a quadra após a vitória, Tifanny foi aplaudida pelo ginásio inteiro. No dia seguinte, recebeu flores e uma mensagem de parabéns de Mauro Fabris, presidente da Liga Italiana. Nas redes sociais, no entanto, viu que sua presença em quadra ainda não é bem vista por todos. Apesar do apoio da cidade e do clube, a brasileira sabe que terá de vencer preconceitos para dar sequência à sua história no vôlei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para se cadastrar, preencha o formulário na coluna do lado direito do blog.
Seu comentário é bem vindo, desde que:
1. possua nome e link válidos;
2. não contenha cunho racista, discriminatório ou ofensivo a pessoa, grupo de pessoas ou instituições;
3. não contenha cunho de natureza comercial ou propaganda.
Grato pela compreensão.