Foto: REUTERS/Jessica Rinaldi (EUA)

Tanzânia ameaçou publicar uma lista de gays que supostamente vendem sexo na internet.

Na semana passada, o vice-ministro da Saúde da nação africana, Hamisi Kigwangalla, anunciou a divulgação online da lista como parte de um plano do governo para reprimir o que ele chama de "sindicato da homossexualidade".

"Tanzânia era tido como país tolerante e a comunidade LGBT não era normalmente confrontada com níveis altos de violência e discriminação", disse Muthoni Wanyeki ao DWdiretora regional da Anistia Internacional África Oriental.
A prática de homossexualidade é punida com até 30 anos de prisão no país. A divulgação de nomes na internet é temida pelos homossexuais por causa do risco de agressões e mortes.
"Vou publicar uma lista de pessoas gays que vendem seus corpos online", escreveu Kigwangalla no Twitter. "Se engana quem pensa que essa campanha é uma piada. O governo tem braços longos e vai capturar silenciosamente todos os envolvidos", continuou o vice-ministro.
No entanto, o governo recuou. Disse essa semana que pretende "lidar com a questão de forma diferente". "Cancelamos a conferência de imprensa. Não mais anunciaremos os nomes (LGBT) por razões técnicas", escreveu Kigwangalla no Twitter.

"Por estratégia e para evitar a destruição de provas vamos lidar com essa questão de forma diferente. Manteremos todos informados dos próximos passos."

Hamisi Kigwangalla, vice-ministro da Saúde da Tanzânia.
A estratégia do governo veio depois que o país fechou cerca de 40 clínicas particulares de tratamento à AIDS porque alegadamente "promoviam" a homossexualidade. 

Tanzânia também já havia tomado uma decisão bem polêmica: proibir o comércio de lubrificantes numa tentativa de evitar a prática do sexo anal pelos gays.

O país criou uma espécie de delação premiada para forçar os homens presos por práticas homossexuais a entregar os amigos. Eles evitam, com isso, as condenações mais severas.

Há seis meses o governo vem ameaçando banir grupos ativistas LGBT considerados prejudiciais à "cultura dos tanzanianos". Em julho de 2016, o delegado da cidade de Dar es Salaam, Paul Makonda, anunciou repressão às pessoas LGBT e ameaçou prender aqueles que se mostrassem abertamente gays nas redes sociais.

Após a ameaça de Makonda, dezenas de homens foram detidos e forçados a fazer exames anais para confirmar a sexualidade.

A ONU devia criar em seu site uma forma fácil de a população se manifestar acerca das violações de direitos humanos praticadas por governos do mundo inteiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para se cadastrar, preencha o formulário na coluna do lado direito do blog.
Seu comentário é bem vindo, desde que:
1. possua nome e link válidos;
2. não contenha cunho racista, discriminatório ou ofensivo a pessoa, grupo de pessoas ou instituições;
3. não contenha cunho de natureza comercial ou propaganda.
Grato pela compreensão.