No início de 2017, o parlamento dinamarquês golpeou o preconceito e tornou a Dinamarca o primeiro país do mundo a remover a classificação de pessoas trans como doentes mentais. 

O governo tomou medidas oficiais para destigmatizar indivíduos transsexuais, separando-os de qualquer associação com palavras do tipo: "problema", "desordem" ou "disforia".

As palavras importam, diz Linda Thor Pedersen da Organização de Direitos LGBT da Dinamarca, para o Scientific American
"Era muito importante que termos como "incongruência", "perturbação" e "problema" fossem deixados fora do código usado pela comunidade médica do país para monitorar os cuidados." A mudança, continua ela, "torna um código em vez de um diagnóstico." 
O antigo sistema permitia uma discriminação indireta, explica. "Pedidos de emprego eram por vezes rejeitados por causa de um 'diagnóstico'".

A mudança, embora atualmente limitada à Dinamarca, representa nova fase na evolução de pontos de vista sobre ser transgênero. Uma mudança anterior ocorreu em 2013, quando "transtorno de identidade de gênero" foi descartado da quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a bíblia da psiquiatria dos EUA para diagnosticar doenças mentais. 

Uma nova condição denominada "disforia de gênero" foi adicionada para diagnosticar e tratar aqueles indivíduos transgêneros que sentem angústia pelo descompasso entre suas identidades e seus corpos. O novo diagnóstico reconheceu que um desajuste entre o gênero de nascimento e a identidade não era necessariamente patológico, observa o endocrinologista pediátrico Norman Spack, fundador da clínica de gênero no Boston Children's Hospital. Ele deslocou a ênfase no tratamento de corrigir um distúrbio para resolver a angústia sobre a incompatibilidade.

Spack compara a nova definição do DSM-5 como similar, em efeito, à desclassificação em 1973 da homossexualidade como doença mental. Richard Johnson, acadêmico de direitos humanos da Universidade de São Francisco, concorda. Embora os homossexuais certamente soubessem que não estavam doentes, ele diz, o movimento teve efeito. "Permitiu à população gay nos Estados Unidos a oportunidade de prosseguir a vida em seus próprios termos", diz ele. "Essa será a mesma situação para a população transgênero que vive na Dinamarca."

À medida que a nova medida entra em vigor, especialistas estão especulando sobre suas ramificações políticas, médicas e financeiras na Dinamarca e em todo o mundo. Os políticos dinamarqueses haviam anunciado no ano passado que esperavam estimular a Organização Mundial da Saúde (OMS) a remover transgêneros de uma categoria de doenças mentais na sua décima revisão da Classificação Internacional de Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), cujos códigos são usados ​​para marcar registros de saúde, rastrear tendências epidemiológicas e informar reembolso de seguro. 

Já estava pre-estabelecido que se a OMS não atuasse até 1º de janeiro de 2017, a Dinamarca agiria unilateralmente. Até 5 de janeiro, data da decisão do parlamento dinamarquês, a OMS não havia se pronunciado - a organização havia dito aos questionadores que a redefinição dos transexuais será parte da CID-11, projeto imenso e demorado que deverá ser lançado até 2018.


Brasil

Em vários países do mundo, tem uma polêmica sobre o assunto que perdura há alguns anos e talvez seja este o entrave maior para decisões mais céleres pela OMS. A questão é saber se, ao perderem a classificação de doenças, os transexuais deixarão de ser cobertos pelo sistemas de saúde do governo, como o SUS.

A forma como o tratamento médico é financiado e as condições de aprovação para esse processo muda de um país para outro. 
"A diferença [entre EUA e Dinamarca]", diz Spack, "é que lá eles têm um sistema nacional de saúde que pede uma declaração que não pode ser exigida aqui, pelas empresas de seguro das pessoas transsexuais. Aqui, somente por litígio as companhias de seguros abrangem todos os cuidados médicos e cirúrgicos necessários. Mas isso está mudando", diz ele, "pouco a pouco, porque aqui somos uma mistura de prestadores de serviços e cuidados e seguradores. Estados diferentes têm políticas diferentes." 
No Brasil, os transgêneros têm direito a cirurgias de redesignação de sexo e outras terapias pelo SUS. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2008 e 2016, foram realizadas 349 procedimentos cirúrgicos e 13.863 ambulatoriais relacionados à redesignação sexual.


Veja abaixo a simulação de um procedimento cirúrgico - transformação homem para mulher (Male-To-female).


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para se cadastrar, preencha o formulário na coluna do lado direito do blog.
Seu comentário é bem vindo, desde que:
1. possua nome e link válidos;
2. não contenha cunho racista, discriminatório ou ofensivo a pessoa, grupo de pessoas ou instituições;
3. não contenha cunho de natureza comercial ou propaganda.
Grato pela compreensão.