A aceitação dos direitos dos homossexuais experimentou um aumento mundial sem precedentes nos últimos anos, com governos concedendo às pessoas LGBT o direito de casar e as proteções contra a discriminação. 

Mas isso não acontece em todos os lugares do mundo, em grande parte por causa de culturas locais inflexíveis que impedem perspectivas globais a favor dos homossexuais, conforme desvendou uma pesquisa.

Essa cultura anti-LGBT prevalece em três regiões do mundo: muçulmano, Bloco Oriental e antiga União Soviética e África subsaariana, disse a pesquisadora do estudo Louisa Roberts, com doutorado em sociologia na Ohio State University.
"Mesmo com esse empurrão de aceitação da homossexualidade em nível global, você encontra resistência em vários níveis regionais", disse Roberts à Live Science.

Louisa baseou grande parte de seu trabalho em dois grandes conjuntos de dados: pesquisa de valores mundiais e pesquisa de valores europeus. Usando dados coletados de 1981 a 2012, Louisa examinou como as opiniões das pessoas sobre a homossexualidade mudaram ao longo do tempo.

Ao todo, foram analisados dados de 87 países, com uma amostra de cerca de 1.600 pessoas por país. Em particular, ela observou a pergunta na qual os participantes responderam o quão aceitável é para eles a homossexualidade numa escala de 1 a 10, sendo 1 "nada aceitável" e 10 sendo "totalmente aceitável".

Por exemplo, em 1981, o Japão tinha uma pontuação média de 2,51, o Reino Unido de 3,40, a Austrália 3,78 e a Holanda 5,60. Em 1982, os Estados Unidos tinham uma pontuação média de 2,36.

No entanto, em 2009 e 2010, o Japão teve uma pontuação média de 5,14 e o Reino Unido 5,50. Em 2011, os Estados Unidos tinham 5,40. Em 2012, a Austrália tinha 6,86 e a Holanda 7,90.


Mas as médias dos países muçulmanos (que incluem grande parte do Oriente Médio, partes da África do Norte e de várias nações do Sudeste Asiático) e da África Subsaariana permaneceram abaixo de 2,0, e as médias para os países da ex-União Soviética e do Bloco Oriental permaneceram abaixo 3 na totalidade da pesquisa, apontou Louisa.


Aumento de aceitação

Louisa descobriu que pessoas que vivem em diferentes regiões do mundo mudaram suas percepções sobre homossexualidade de várias maneiras. Por exemplo, os países que aceitavam mais pessoas gays em 1981 revelaram mudanças mais positivas de aceitação ao longo do tempo.

As nações menos tolerantes mudaram suas percepções mais lentamente, o que ampliou a distância entre elas e os países mais flexíveis, mostrou a pesquisa.

Na Europa, os países começaram a descriminalizar a homossexualidade nos anos 60 e 70, e a maioria dessas leis nasceu na década de 1990. 

Em 1994, o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas determinou que a criminalização da homossexualidade violava o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos da ONU. Em 2012, a discriminação no emprego era proibida em 59 países e as uniões civis ou casamentos entre pessoas do mesmo sexo eram legais em 24 países.

Na área médica, a Associação Americana de Psiquiatria disse já em 1973 que não classificava a homossexualidade como transtorno mental, e a Organização Mundial da Saúde seguiu o exemplo em 1990.

A mídia globalizada também desempenhou um papel ao promover "tanto a aceitação como a conceitualização da homossexualidade como identidade e não apenas comportamento", disse Louisa. 

Os países em que as pessoas estavam mais expostas às ideias globais, às telecomunicações e às viagens, em geral, assim como aos países cujos cidadãos receberam mais educação, em média, tendiam a aceitar mais pessoas gays ao longo do tempo.

A exposição a idéias globais e níveis de educação foram baixos nas três regiões que não cresceram na aceitação da homossexualidade, descobriram os pesquisadores. Além disso, as culturas destas regiões resistiram à aceitação dos homossexuais. Por exemplo, em 2013, a Rússia aprovou uma lei contra a chamada "propaganda homossexual". Os governos muçulmanos rejeitaram a homossexualidade classificando "como uma importação ocidental decadente", e muitos líderes africanos condenaram a homossexualidade como contrária aos "valores e tradições africanas", disse Louisa.

Cerca de dois terços dos 76 países que ainda criminalizavam a homossexualidade em 2012 estavam na África subsaariana ou na maioria muçulmana, segundo a pesquisa.

O estudo foi apresentado em 20/08/2016 na reunião anual da American Sociological Association em Seattle.

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