Um estudo recente da Duke University descobriu que, entre outras motivações, vários universitários trans alegam que bebem "para se sentir felizes".

O estudo verificou que estudantes transgêneros bebem com mais freqüência e em maior quantidade do que seus colegas cisgêneros. Trinta e seis por cento dos estudantes trans, em comparação a 25 por cento dos estudantes cis, relataram apagão devido ao consumo de álcool.

A pesquisa foi realizada pela Duke University Medical Center. Eles entrevistaram 422.906 estudantes universitários, dos quais 989 se auto-identificaram transgêneros, representando 0,2 por cento do grupo da amostra. 

Os pesquisadores advertem que as pessoas trans experimentarem discriminação significativa na sociedade em geral, além de questões pontuais como, por exemplo, a das escolas norte-americanas desde que Donald Trump se elegeu presidente dos EUA.

Duke se situa na Carolina do Norte, onde a infame lei anti-trans "Bathroom Bill (HB2)" foi aprovada. A legislação anti-transgênero "ilustra os conflitos estressantes e preocupações sobre a diminuição da segurança historicamente vivida pela comunidade transgênero", observam os autores.
O assédio e o bullying são comuns nas escolas, escrevem os pesquisadores explicando que isso agrava o problema enfrentado pelos estudantes trans. Tal discriminação pode "reduzir o entusiasmo fundamental para a matrícula universitária". Os jovens trans se isolam: "Muitas universidades são mal equipadas para acomodar as necessidades desse grupo de pessoas".

Dr. Scott Swartzwelder, um dos autores do estudo, disse em entrevista para Broadly, que sua equipe descobriu uma diferença preocupante entre alunos transgêneros: mulheres transgêneros apresentam níveis mais elevados de consumo de álcool e problemas associados do que homens transgêneros. 

Swartzwelder explicou: "De modo geral, os transgêneros relataram que usam o álcool especificamente para auto-medicar sentimentos de ansiedade, estresse e depressão. Alguns disseram que bebem para "se sentirem felizes". Uma pesquisa adicional é necessária para realmente entender por que essas diferenças existem, de acordo com Swartzwelder. No entanto, já se sabe que pessoas trans sofrem todos os tipos de questões sociais e de saúde desproporcionadas.

"Os estudantes transgêneros representam uma população vulnerável com relação ao abuso de álcool e suas conseqüências negativas", disse Swartzwelder, acrescentando que as escolas e prestadores de serviços médicos têm a responsabilidade de ajudar a reduzir esse problema. Ele vê isso como parte do problema global e acredita que a ignorância em torno dos alunos trans ajuda a criar estatísticas como essas.

Durante os próximos anos, Swartzwelder pretende rastrear o universo dos estudante trans usando banco de dados de "milhões e milhões" de estudantes universitários que ele tem acesso. Sua esperança é que haja mudança nessas estatísticas, de que os estudantes trans nos próximos anos não sofram no mesmo grau de hoje. "transexuais são amplamente mal compreendidos nessa sociedade", disse Swartzwelder.

Qualquer pesquisa sobre transgêneros pode ser útil.
"Se aprendermos mais sobre pessoas trans, poderemos conhecê-las a partir de fatos e não de medos", concluiu.
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*¹ legislação que define o acesso a instalações públicas - especificamente banheiros - para pessoas transsexuais. 

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