Acima, o presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov, e o chefe do Paralmento checheno, Magomed Daudov. Denúncias de vítimas incluem os dois políticos.

Nas últimas semanas, relatos vieram à tona sobre uma campanha perversa na Chechênia, na qual pelo menos 100 homens gays foram presos e três foram mortos na região russa.

Uma testemunha disse à Novaya Gazeta, jornal russo com sede em Moscou, que essa campanha inclui campos de concentração, como aqueles que haviam no Holocausto da Alemanha nazista.

Um sobrevivente de um campo estabelecido em uma antiga base militar em Argun disse que foi torturado e interrogado por funcionários chechenos, que exigiam saber nomes de outros homens gays. Eles confiscaram o celular da vítima e se apropriaram de seus contatos, sem se importar se eram gays ou não.

Fontes alegam que as táticas de "interrogatório" incluem tortura por choque elétrico e golpes violentos. Os criminosos estariam exigindo pagamento de resgate às famílias das vítimas, que vendem bens e propriedades para salvar seus entes queridos.

As fontes do jornal também alegam que o presidente do Parlamento, Magomed Daudov, estava presente durante os interrogatórios e transferências dos detidos.

Segundo  New York times, os líderes chechenos negaram os relatos de prisões e assassinatos e negam inclusive que existam gays na região: "Você não pode prender ou reprimir pessoas que simplesmente não existem na república", disse Alvi Karimov, porta-voz do presidente checheno Ramzan Kadyrov, à agência de notícias Interfax.
"Se essas pessoas existissem na Chechênia, a polícia não teria que se preocupar com elas porque os seus próprios parentes as teriam mandado de volta para onde nunca deveriam ter saído", acrescentou Karimov.

Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA emitiu uma resposta aos líderes russos e chechenos alertando que o país condena violência praticada contra pessoas LGBT.
"Estamos muito preocupados com a discriminação e violência generalizadas contra pessoas LGBTI na Rússia ou em qualquer sociedade", diz a declaração. "Pedimos ao governo russo que proteja todas as pessoas contra discriminação e violência e permita o livre exercício das liberdades de expressão, associação, reunião pacífica, religião ou crença".
Tanya Lokshina, porta-voz da Human Rights Watch, criticou o Kremlin por sua resposta inadequada com tom indiferente ao dizer que as supostas vítimas devem usar os canais oficiais para denunciar crimes. Lokshina apontou para a cultura do medo e homofobia que impedem muitas pessoas de revelarem suas identidades e usarem tais canais para denunciar crimes.

"Não é exagero dizer o quão vulneráveis ​​são as pessoas LGBT na Chechênia, onde a homofobia é intensa e desenfreada", disse Lokshina, acrescentando: "Sem garantias sólidas de segurança, as vítimas e testemunhas não podem se manifestar, e não há chance de exisitir uma efetiva investigação."

As autoridades da Chechênia investigam homens gays não assumidos, fingindo que procuram encontros nas redes sociais. Por medo, homens gays já começaram a excluir suas contas das redes sociais, enquanto outros publicaram histórias angustiantes, como a de um garoto de 16 anos que desapareceu de uma aldeia chechena e foi espancado até a morte. Seus ossos foram devolvidos em um saco.


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