Texto original: The Intercept Brasil
Helena Borges

                                                                                           Foto Kara Rountre
O Ministério da Educação (MEC) cortou homofobia da lista de preconceitos que devem ser combatidos com a educação, alterando documento que já havia sido entregue à imprensa.

Na quinta-feira, 6, a nova versão do Base Nacional Comum Curricular, documento que orienta as escolas públicas e particulares brasileiras sobre o que deve ser ensinado em aula, foi divulgada.

Dois dias antes, o texto foi enviado pelo MEC à imprensa. Entretanto, a publicação de matérias devia ser liberada apenas no dia 6, quando o documento seria oficialmente entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão responsável pelos próximos passos do processo de instituição da base.

A versão entregue ao CNE contém mudanças cirúrgicas: os fragmentos que defendiam o respeito à diversidade tiveram os termos “identidade de” gênero e “orientação sexual” sumariamente apagados.



O coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, criticou as mudanças feitas sem aviso nos bastidores:
“Já está se tornando um hábito desta equipe do MEC divulgar uma versão para a imprensa e seus aliados e colocar em prática outra, como foi feito na reforma do Ensino Médio. Desta vez, o texto foi pasteurizado: retiraram trechos que diziam respeito à orientação sexual e identidade de gênero e pasteurizaram trechos que diziam respeito às questões raciais. Não é uma gestão confiável.”
Cara explica que os dois textos estão passando, agora, por análise minuciosa para encontrar mais alterações que possam permitir outros tipos de preconceito e humilhação. Ele lembra que, muitas vezes, essas opressões motivam os alunos — que se sentem humilhados e desmotivados a estudar — a desistir da escola.

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