O ativista Kevin Frost ao lado(esquerdo) de ex-modelo kate Moss, Marc Jacobs e Char Defrancesco [foto de Ludmila Bernardi]

O ativista norte-americano na luta contra AIDS, Kevin Frost, esteve no Brasil há poucas semanas para uma festa da qual participaram várias celebridades internacionais e nacionais - veja fotos abaixo. O evento arrecadou US$ 1,3 milhão para as atividades e pesquisas científicas da ONG presidida por Kevin.

Kevin concedeu entrevista a Folha de São Paulo, na qual falou sobre a grande chance de cura da doença até 2020. Mas faz um alerta: "se a cura vier, será cara".

Ele considera que a falta de medo das pessoas é atualmente o maior obstáculo para o combate do HIV: "A realidade é que os jovens não querem usar camisinha, assim como a maioria das pessoas, que só usam porque precisam."

Como presidente da amfAR, uma das mais importantes ONGs que atuam na área de HIV e Aids no mundo, um de seus desafios é entender como convencer os jovens sobre os riscos. E uma boa parte da epidemia está ligada à comunidade gay – segundo a Unaids, 10,5% da população gay tem o HIV, contra 0,6% da população geral.

Na última semana ele esteve no Brasil para uma festa da qual participaram celebridades como Katie Holmes e que arrecadou US$ 1,3 milhão para as atividades e pesquisas científicas da ONG. "Hoje estamos muito perto da cura."


Ricky Martin e Ivete Sangalo deram show no evento- Fotos Ludmila Bernardi

FOLHA de São Paulo - Como conscientizar as pessoas?

Kevin Frosten - Nós temos que ser mais criativos. Temos que entender como convencer os mais jovens sobre suas vulnerabilidades. Isso significa que temos que ter mensagens específicas e que os atinjam.

Uma grande parte da epidemia de Aids está conectada à comunidade gay. Também está conectada a usuários de drogas injetáveis. E também a transgêneros, profissionais do sexo. O que nós precisamos saber fazer é entender que há barreiras que essas comunidades enfrentam diariamente em suas vidas que fazem com que elas sejam vulneráveis ao HIV. Você não pode desconectar o trabalho com HIV dos direitos gays. Ao menos que essas conexões sejam reconhecidas e que lidemos com elas, não haverá sucesso nessa luta.
"É possível falar sobre direitos gays sem tocar no assunto HIV, já que a maioria dos gays não tem HIV. Mas não dá para falar sobre HIV sem falar sobre direitos dos homossexuais."
Há pessoas que acham que já existe uma cura para a Aids e que ela está sendo ocultada.

Não acredito na ideia de que farmacêuticas, por exemplo, não querem achar a cura porque elas estão ganhando dinheiro com drogas para a Aids. Um bom exemplo disso é a hepatite C –há uma cura para a doença e a empresa que a desenvolveu está ganhando bilhões de dólares.

A primeira companhia que descobrir uma cura para o HIV também irá ganhar bilhões de dólares.


A atriz Katie Holmes esteve no evento em São Paulo [AGNews]

O sr. aposta no surgimento de uma cura nos próximos anos?

É difícil dizer quão perto ou longe estamos – na verdade, ninguém sabe. No mês passado, ficamos sabendo de uma nova pesquisa que mostra como identificar o HIV que está escondido no corpo das pessoas. O vírus fica nos chamados reservatórios e há um consenso de que identificar e eliminar esses reservatórios são a maior barreira para chegar a uma cura.

Não sou muito fã de jogos de azar, mas, se fosse, apostaria que temos uma chance extraordinária de chegar à cura até 2020. Dá para ser feito. A questão é: faremos os investimentos necessários?

Quando a cura for encontrada, ela provavelmente será cara.
Não sei como e se podemos evitar esse risco. Mas o nosso trabalho será, com o tempo, fazer essa cura mais barata e mais acessível.
O tratamento que está salvando a vida das pessoas hoje se tornou acessível em 1997. Levou quase dez anos para termos 15 milhões de pessoas em tratamento. Há cerca de 40 milhões de pessoas vivendo com HIV hoje. Metade não tem acesso ao tratamento. Mas nós saímos de 1 milhão de pessoas em tratamento para 15 milhões relativamente rápido. A mesma coisa ocorrerá no caso de uma cura.

Camisinhas ainda são a melhor opção para prevenir Aids?

Há melhores alternativas. Há pessoas desenvolvendo camisinhas melhores, mas a realidade é que jovens não querem usá-las, assim como a maioria das pessoas, que só usam porque precisam prevenir doenças ou gravidez.
Ninguém argumenta contra o fato de que sexo é melhor sem camisinha.
Nós precisamos de ferramentas que permitam que as pessoas se protejam mesmo que não usem preservativos.

Há uma pílula que você pode tomar uma vez ao dia que vai prevenir a infecção por HIV. Mas tornar essa pílula amplamente disponível para as pessoas é difícil. Falta vontade política.
Kevin Frosten na festa de arrecadação, São Paulo [Foto- Ludmila Bernardi]

Um grande talento seu é atrair famosos para sua causa, certo?

A verdade é que o HIV teve um efeito desproporcional na comunidade artística, musical, da moda. A lista de casos e mortes é muito grande. Essas comunidades responderam porque foram afetadas, elas entendiam que eram seus amigos, colegas que estavam morrendo.

Essa conexão pessoal é insubstituível.
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  Foto Ludmila Bernardi

O evento em São Paulo foi a sexta edição do Inspiration Gala da amfAR. A apresentação ficou a cargo de Dinho Diniz (na foto acima, ao lado de Seu Jorge, Otabio Veiga e José Camargo Junior) e Felipe Diniz, Naomi Campbell e Riccardo Tisci. Os homenageados foram a ex-modelo Kate Moss e a dupla Dean e Dan Caten da DSQUARED2.

Entre os convidados: Stefano Gabbana, Domenico Dolce, Grazi Massafera, Sabrina Sato, Anitta, red carpet, outros cantores, atores e apresentadores das emissoras brasileiras e estilistas. Confira mais fotos, topdas de Ludmila Bernardi.

Anitta
Ivete Sangalo e Daniel Cady
Luciana Gimenez
Lucas Jagger
Marlon Teixeira
Naomi Campbell
Stefano Gabbana e Dominico Dolce
                       Theodoro Cochrane e Marilia Gabriela

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