Foto: George Magaria
Em entrevista à revista Veja, o cantor Carlinhos Brown disse que apoia a comunidade LGBT, mas acha que os gays devem evitar os 'exageros' da sexualidade para não gerar violência e chacota.

Esse tipo de opinião, quando direcionada aos gays, gera inconformismos porque não é comum se dizer esse tipo de coisa para casais heterossexuais que exageram na intimidade em público.

Ao ser questionado pela revista se houve avanço na conquista do respeito aos gays ou se ainda falta muito, foi Brown quem se execedeu e fez ponderações desnecessárias.
"Houve muitos avanços, mas também tem excessos [sic]. A sexualidade precisa ser respeitada… Uma coisa é você assumir qualquer desejo seu sexual, outra coisa é um cuidado com a sua sexualidade. Você sendo ou não gay, você precisa também respeitar o ambiente onde você está. Não é uma aberração dois homens se beijando, duas mulheres se beijando, o que talvez seja uma aberração é o fato de você não respeitar a sua intimidade, quando aquilo torna-se exagero, e é isso que provoca o escárnio, que provoca a briga, que provoca a encrenca e, claro, há de ter um mistério no amor."
Se a revista quisesse saber do cantor o que ele acha dos excessos de casais quando estão namorando em lugares públicos, a resposta estaria coerente. Mas dizer que os gays provocam "escárnio" e "briga" ao ultrapassar o limite da sexualidade em público é, como ele mesmo disse ao responder à pergunta anterior, desrespeitá-los e "tratar desse assunto como algo menor".

Brown havia explicado antes por que a temática gay o inspira - ele foi convidado a cantar na Parada do Orgulho LGBT de Madrid, em julho próximo, onde inclusive lançará a música "Orgulho de Nós Dois".

"É qualquer temática humana de proteção. Da mesma forma que eu cuido de crianças e de pessoas que são consideradas apartadas da sociedade, eu também dou voz ao velho, ao gay, ao menor desamparado, ao drogado. Então, eu fui preparado, esse babalorixá que está aqui, para o cuidado, não apenas por uma causa. E essa é uma causa que sempre mereceu respeito. De onde eu venho, muitas pessoas foram maltratadas e desrespeitadas. Eu nasci um pouco para fazer essa delação do bem, de que é necessário respeitar o outro. Eu acredito que os LGBT têm ensinado muita gente a ter orgulho de si mesma, do seu país, da sua vida, a olhar as coisas para frente. Já é cafona tratar desse assunto como algo menor, como algo de coitado, já foi, já está na hora de virar essa página."

É o tal do morde e assopra.

Carlinhos Brown, que é tão hábil com as palavras e tão sensível com crianças quando está na TV, dessa vez não se deu conta que há um desequilíbrio no tratamento aos gays para o mesmo comportamento praticado por heterossexuais. Não seria a falta de lei, que dê equilíbrio e segurança aos cidadãos brasileiros LGBT para exercerem o seu direito de ir e vir, a razão para as "brigas e escárnios"?

A entrevista continua. Quase no final, o cantor é perguntado se irá à Parada LGBT de SP. Ele respondeu: "Pela Parada Gay de São Paulo, eu nunca fui convidado a participar".

Por que será?

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