Ativista na Uganda em comemoração à reprovação de um projeto de lei homofóbico em 2014: 'Eu sou muito gay e não consigo pensar como hétero'.
Uganda é criticado por não conseguir incluir homens gays e profissionais do sexo em nova iniciativa que visa acabar com o HIV até 2030.

A iniciativa foi anunciada pelo presidente Yoweri Museveni na última semana, mas foi criticada por ser ambiciosa e por não se propor a atingir as pessoas mais ameaçadas pelo HIV.

O anúncio de Museveni veio depois que a Organização Mundial de Saúde considerou a droga de prevenção do HIV Truvada (PrEP) para a lista de medicamentos essenciais.

Na África, o número de pessoas infectadas com o HIV bate recordes. A cada minuto, oito novos doentes surgem no continente e de cada três infectados no planeta, dois vivem na África, segundo o site Mundo Vestibular. O preconceito e a pobreza também são enormes.

Quando pensamos que alguns países africanos atingiram o nível máximo de intolerância aos gays, eles se elevam a mais um grau. Mas alguns, como é o caso de Uganda, se superam também na ignorância. Senão vejamos.
Apesar do investimento para essa iniciativa de tentar acabar com o HIV até 2030, o governo ugandês não consegue entender que, para ter sucesso, tem que buscar as pessoas mais suscetíveis ao vírus: homens solteiros heterossexuais e gays.
O plano em Uganda consiste em cinco passos para atrair especialmente as mulheres jovens e as crianças - indiretamente os homens heterossexuais são alcançados, pois se supõe que eles não serão (ou dificilmente serão) contaminados pelo vírus se as mulheres com HIV seguirem à risca o tratamento. 

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Sylvia Nakasi, assessora jurídica e política da Aids Service Organizations (UNASO), explicou que, se os homens homossexuais e os profissionais do sexo forem deixados de fora, o governo não terá sucesso com seu plano.

"Uganda não encerrará a Aids se essas populações forem deixadas de fora e continuarem a ser marginalizadas, estigmatizadas e discriminadas em nosso planejamento. Elas têm alta prevalência e incidência de HIV", alertou a assessora jurídica.

Campanha contra projeto de lei que previa prisão perpétua aos gays, em 2014: "Alguns ugandeses são gays. Aceite isso".

Por outro lado, a Ministra da Saúde, Sarah Achieng Opendi, disse que eles não visam homens gays porque não querem promover a homossexualidade.
"Não queremos homossexualidade e homossexuais neste país. As pessoas querem promover o que não está em nossa cultura. Não podemos aceitar."
"Nossos hospitais estão abertos. Não perguntamos às pessoas se são homossexuais ou não. Deixamos qualquer uma se testar. Se forem positivas, elas começam o tratamento. Mas não podemos dar atenção especial para os gays", disse a ministra da saúde.

Ativistas no país dizem que é um golpe para deixar os homens gays e profissionais do sexo de fora.

Na Uganda, o número de infectados em 2010 foi reduzido em 135 mil casos, mas em 2016 essa redução foi de apenas 60 mil.

Dos 1,5 milhões de pessoas vivendo com HIV, acredita-se que dois terços estão em tratamento. No entanto, Uganda espera que, ao introduzir o plano, o governo consiga reduzir as infecções e medicar as pessoas de acordo com o objetivo de 90-90-90 estabelecido pela UNAids.

Esse objetivo exige que os países assegurem que, até 2020, 90% das pessoas que vivem com HIV sejam diagnosticadas, 90% estejam em tratamento antirretroviral e 90% das pessoas com tratamento tenham uma carga viral indetectável.

Treze por cento dos homossexuais e 18,2 por cento dos profissionais do sexo estão em risco de HIV por causa da discriminação no país e pela dificuldade em  buscar tratamento.

"Precisamos de um Fundo Nacional de Truste para Aids em funcionamento - mais ênfase na prevenção usando métodos comprovados como VMMC [medicina voluntária para circuncisão masculina], uso de medicamentos profiláticos ( PrEP), visando populações de alto risco e, sobretudo, combater o estigma e a discriminação do HIV", colcluiu Nakasi.


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